O discurso de Quaquá

Walter Monteiro - Não vou mentir: o comício tinha bastante gente, oito vezes mais do que de Ricardo. Se de Ricardo tinha de duzentas a trezentas pessoas, o comício de Quaquá chegou pouco mais de duas mil. Todos de vermelho, metade com bandeira nas mãos, gente diferente, estranha, tipo baixada. Jovens marrentos, com cerveja nas mãos, aos gritos que tirassem as fotos deles.

No palanque iluminado, o prefeito aos berros, voz rouca e fina, confundido a principio, com voz de mulher, vociferava contra os coronéis da cidade, principalmente Francisquinho, por abandonar Ricardo e ajudar Marcelo.

Destilou rancor aos seus desafetos, falou de Pastel, aliás, coisa que sempre fala, como também de todas as famílias tradicionais da cidade, como se os Rangeis, Caetanos, Andrades e outros, fossem culpados dos seus complexos, sua feiura, ser nanico, ter sido pobre e, atualmente, acusado de corrupção.

Seu discurso parecia uma despedida, tipo do Hitler antes de se suicidar, aos berros acusando os judeus e colocando a culpa nos outros. Falou pouco de novos projetos e parece que vai continuar o engodo das obras pontilhadas, nas esquinas de cada bairro, no efeito psicológico de que: “se votar em mim, a obra continua”.

Para quem acompanha política percebe que a disputa vai ser acirrada. Torna-se difícil conceber que um candidato à reeleição, com a máquina administrativa, milhões na campanha, passe esse sufoco ou até mesmo sair derrotado das urnas. E isso pode acontecer: não se compra setenta mil eleitores e os que se vendem são duvidosos, tipo que na hora não vota e não estão nem aí para a cidade.

Para Quaquá e outros insignificantes do Partido dos Trabalhadores, não percebem a perda de popularidade e que hoje só atingem a massa empobrecida da população, alimentada pelas migalhas caídas das mesas dos barões petistas, na distribuição de suas bolsas de tudo que se pode imaginar, como sobra da quantidade de dinheiro que retiram da classe média, os bobos da corte, financiadores dessa cadeia sem fim.

Essa prática paternalista faz parte da doutrina do poder. Escrúpulo não existe, a ordem é se eleger e saquear tudo, como piratas, onde financiam suas campanhas milionárias e perpetuam nos governos. O grande sucesso é reabastecer a pobreza, ensinamentos das religiões, onde está à miséria é solo fértil para enriquecer, pelo medo ou pelas migalhas do tipo netbook e outras bolsas mais.

Essa eleição é a mais importante da história de Maricá, não só pelo revezamento do poder e sim para retirar o grande dragão, ou melhor, o cavalo de troia que, inadvertidamente, entregamos a chave da cidade e seu tesouro.
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