terça-feira, 21 de junho de 2016

Quaquá, Maquiavel e a Utopia de Maricá

Por Marcelo Bessa (Editorial) -  Amigos, hoje, ao acordar, lembrei que amanhã, quarta-feira (22), o nosso prefeito, Quaquá, faltando apenas seis meses para dar um auto-esperançoso breve adeus ao seu governo, inicia cinco dias de festa para o povo; o tal Festival da Utopia.

Mas, depois do café, passando vista ligeira à Lei Orgânica Municipal de nossa amada cidade, Maricá, atentei-me no Capítulo I, que trata dos Direitos Individuais e Coletivos, no Art. 7º , que rege o seguinte:

"Os direitos e deveres individuais e coletivos, na forma prevista na Constituição Federal e na Constituição do Estado do Rio de Janeiro, integram esta Lei Orgânica e devem ser afixados em todas as repartições públicas do Município, nas escolas, nos hospitais ou em qualquer local de acesso público, para que todos possam, permanentemente tomar ciência, exigir o seu cumprimento por parte das autoridades e cumprir, por sua parte, o que cabe a cada cidadão habitante deste Município ou que em seu território transite".

E, logo em seguida, no Art. 8º , referente ao título 'Todos têm o direito de viver com dignidade', há um Parágrafo Único que diz:

"É dever do Município garantir a todos uma qualidade de vida compatível com a dignidade da pessoa humana, assegurando a educação de sua competência, os serviços de saúde, a alimentação, transporte, o saneamento básico, o trabalho remunerado, o lazer e as atividades econômicas, devendo as dotações orçamentárias contemplar prioritariamente tais atividades, segundo planos e programas de governo".

Pareceu-me ser isso uma utopia. Afinal, isto sim seria tudo de bom, se acontecesse, é claro! Pesquisei a respeito e encontrei tais significados:

"Utopia é um lugar ou estado ideal, de completa felicidade e harmonia entre os indivíduos";

"qualquer descrição imaginativa de uma sociedade ideal, fundamentada em leis justas e em instituições político-econômicas verdadeiramente comprometidas com o bem-estar da coletividade".

Ah, tá...

Não satisfeito, pesquisei sobre o evento em Maricá e entendi que a ideia é "criar um espaço plural onde as pessoas possam debater os caminhos e condições para chegar ao mundo que desejam".

Ora, sete anos e meio teve este governo para levar o povo à felicidade plena, conforme o Art. 8º de nossa utópica Lei Orgânica. Porém, o texto ainda não condiz com a nossa realidade, infelizmente.

Com relação ao Art. 7º. vejo que, em vez das leis estampadas nas repartições, escolas, hospitais, postos de saúde, bares, postes, árvores, etc, divulgam-se anúncios de shows artísticos "gratuitos", nas ruas, nos blogs e nas redes sociais. Se eu entendi bem, a nossa Lei Orgânica está prestes a ser queimada em praça pública, na qual um grupo de pessoas, muitas vindas de longe desse Brasil à fora, e com as passagens aéreas pagas pelo prefeito, se reunirão para debater uma nova ordem política, numa espécie de culto transcendental?!

De acordo com o slogan  da festa, "VAMOS CONSTRUIR NOSSA UTOPIA", cujo preâmbulo diz que "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar", extraído do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, parece que é algo de quem tomou algum chá de trombeta, ou quem sabe até de cogumelo. Coisa de "doidão". Só pode!

Bem, voltando às reflexões, há tempos venho reparando que aqui, em Maricá, as políticas públicas não funcionam conforme deveriam. O sistema de governo, a meu ver, parece não ser nada democrático, mas sim, absolutista. Não é à toa que alguns cidadãos comparam o nosso prefeito a um coronel. Eu, o compararia a um dos "príncipes" descritos no célebre livro de Nicolau Maquiavel. Quaquá, na minha visão, é como se fosse um amado e ao mesmo tempo temido senhor feudal, com poder absoluto sobre seus "ministros", os vereadores, e seus "súditos", o povo, querendo manter-se eternamente no poder a qualquer custo.

Estranhamente, em seus quase oito anos de governo, obras inacabadas fizeram evaporar milhões do Erário. Mas agora, quase às vésperas das eleições ele começou a construção de um novo hospital. Mas será que vai funcionar?

Para Quaquá, o dia do término de seu reinado está chegando. Há notícias de que um novo conquistador está próximo dos arredores da cidade. Em contrapartida, um outro guerreiro mais famoso, por sinal amigo seu, tentará socorrê-lo. Afinal, para a desesperada cúpula da qual esse guerreiro é o chefe, o principado de Maricá é sua última esperança de Poder.

PT saudações...



Marcelo Bessa
Editor-chefe do ItaipuaçuSite
Músico, jornalista e blogueiro
Morador de Itaipuaçu (Maricá-RJ)



1 comentários:

Anônimo disse...

A fala dos cumpanheiros se explica pela teoria do duplo pensar de George Orwell.

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