segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Em crise, PT vê debandada geral no Rio de Janeiro e se segura em Maricá

Denúncias contra Lula e impeachment de Dilma reduzem expectativas para o PT no Rio de Janeiro. Dos 11 prefeitos eleitos em 2012, somente 4 seguem na legenda. Nesse cenário, Maricá, na Região Metropolitana do Rio, é a última trincheira petista no estado.


Acossado pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, pelas denúncias contra Lula e ainda vivendo sob o impacto da Operação Lava Jato, o PT não terá vida fácil nas eleições municipais deste ano. No Rio o impacto dos problemas já é sentido. Dos 11 prefeitos eleitos em 2012, apenas 4 seguem na legenda, e apenas um irá disputar a reeleição. Maricá, na Região Metropolitana, é a última trincheira petista no Rio e após dois mandatos de Washington Quaquá, presidente do diretório estadual, a cidade vive uma disputa local que tem cara de nacional.

A cidade ganhou fama nacional graças às referências pouco elogiosas do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Ela é comandada pelo presidente estadual do partido, Washington Quaquá, um dos principais aliados do ex-presidente Lula no estado. Como ele já está no segundo mandato, cabe a Fabiano Horta manter a prefeitura da cidade no PT.

"Política não é algo estático, a política tem conjuntura de circunstância. Havia uma aliança com o PMDB que sustentava o governo Dilma. Quando o PMDB foi contrário a isso e declarou voto favorável ao impeachment, a aliança se tornou insustentável porque as forças políticas já não pensavam iguais", afirmou o candidato do PT em Maricá.

Se para boa parte dos petistas o PMDB é o inimigo número um atualmente, no Rio houve quem virasse a casaca. É o caso dos prefeitos de Paraty e São Pedro d'Aldeia, que tentam a reeleição pelo PMDB. A situação mais emblemática é do prefeito de Niterói, no Grande Rio: para disputar a reeleição, se filiou ao PV, embora o PT faça parte da sua coligação. Só o prefeito da pequena Natividade, no Noroeste Fluminense, disputa a reeleição pelo partido. Para o cientista político da PUC-Rio Ricardo Ismael, os agora ex-petistas precisarão de esforços redobrados para desvincular suas imagens da do PT.

"Todo mundo vai ter que explicar. Dependendo da conversa, da justificativa, pode ser que o eleitor aceite. Não é uma coisa trivial. Pelos acontecimentos recentes, quem está saindo do PT para ir para outros partidos pode ser visto como oportunista. O eleitor irá dizer, 'até agora, estava lá. Viu que o barco está afundando, pula fora e vai para outra legenda dizendo que não tem nada a ver com isso", indicou Ricardo Ismael. A onda antipetista é um dos principais trunfos dos candidatos de oposição em Maricá, como Marcelo Delaroli, do Democratas, que quer dar o troco depois de ter sido derrotado por Quaquá em 2012.

"Todo mundo quer tirar o PT do poder. E a gente sabe que se ganhar a eleição, vem todo mundo para cá. Se a Dilma vier morar no estado do Rio, quem vai segurar a onda dela, se o único município é Maricá? Ele já defendeu todos esses condenados do Mensalão, fala que o José Dirceu é um injustiçado, trouxe a filha do Lula para cá...", disparou Delaroli.

O serviço de linhas de ônibus gratuitas é o carro chefe da campanha do PT para se manter no poder, e é defendido até pela oposição. A reportagem circulou do Centro da cidade até a localidade conhecida como Caxito, e constatou que, de um modo geral, a população avalia positivamente o serviço. Uma das reclamações tem a ver com a pouca oferta do coletivo. Mariana Alves relatou que chegou a ficar 1h30 esperando o Vermelhinho, como é conhecido o ônibus que não cobra passagem na cidade.

"É complicado, porque ele só passa de uma em uma hora. Você está com pressa, tem que pegar um outro ônibus e pagar passagem. Isso era preciso melhorar. Ontem fiquei uma hora e meia no ponto", lamentou.

Uma das mais polêmicas decisões de Washington Quaquá na prefeitura foram as de dar nomes de ícones da esquerda para locais públicos. É o caso do hospital municipal Ernesto Che Guevara, em homenagem a um dos líderes da Revolução Cubana da década de 1960. Com quase 130 mil metros quadrados, a construção da unidade está em ritmo lento, como a reportagem constatou. O entulho se acumula e poucos funcionários estavam no local na manhã da última sexta-feira.

O último prazo dado para inauguração, setembro deste ano, não fui cumprido. Outra obra que causou polêmica foi a do condomínio Minha Casa Minha VIda Carlos Marighella, em homenagem ao guerrilheiro que lutou contra ditadura. Em março deste ano, uma forte chuva deixou moradores debaixo d'água. A reportagem também visitou o local, e na opinião do morador André Herllain, este problema se resolveu. O que falta é movimentar a economia de Itaipuaçu, onde fica o condomínio e há pouca atividade comercial.

"Acho que falta mais comércio, por enquanto só tem aquilo ali. Poderia ter supermercado grande, hospital, poderia fazer um skatepark. Tem muito espaço aqui em Itaipuaçu e em Maricá", sugeriu André.

Com 150 mil habitantes, Maricá é reduto de petistas como Lurian Lula da Silva, filha do ex-presidente Lula, que trabalha na campanha de Fabiano Horta, e do ex-deputado estadual Gilberto Palmares, secretário de administração do município. Para manter este legado, o partido enfrenta mais dois candidatos, Bia, do Psol, e Carolino Santos, do PDT.

Leandro Resende - Rádio CBN RIO



2 comentários:

Anônimo disse...

Maricá não pode virar refugio de ratos, Marcelo Delaroli vai dar o golpe de misericórdia no PT.

Anônimo disse...

ACABOU O ROUBO. VÃO PAGAR TUDO O QUE ROUBARAM E BOTAR TODOS ELES NA CADEIA. PT NUNCA MAIS. UMA SIGLA DE ANALFABETOS, LADRÕES, ASSASSINOS, ETC...

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