terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Jacintho Luiz Caetano, 100 anos de história - Parte 4

Por Adilson Pereira - Da série "Dignidade tem Preço?" - Capítulo 4


Olá, amigos! Antes de dar início ao 4º episódio da série “Dignidade tem Preço?”, quero esclarecer que este capítulo do livro, “A História”, será transcrito quase em sua íntegra, tamanha é a riqueza de conteúdo contida nas linhas que o preenchem. Neste capítulo, a narrativa de Maria do Amparo assume um cunho bastante pessoal, fazendo parecer que ela se encontra numa cadeira, na mesma sala que nós, com um copo de café nas mãos, numa prosa pra lá de íntima. Vamos ao que interessa...


Meu pai cresceu vendo o seu pai dedicar-se a lavoura e ao pequeno comércio ambulante. Sua mãe, dona Miúda, grande doceira, contribuía nas despesas da casa vendendo seus gostosos doces.

Aos 8 anos, papai, muito esperto e ágil, levava para vender esses doces na praia de Jacaroá, sempre aglomerada de pessoas vindas de municípios vizinhos para comprar peixes e camarões, na época ainda farto na lagoa de Maricá. Peixes e camarões eram a grande riqueza do município. Desde pequeno papai já trabalhava e já pensava em expandir seu pequeno negócio. Voltava para casa e entregava, com alegria e orgulho, o resultado de suas vendas. Sua pequenina parte desse capital era guardado em canudinhos de bambu e enterrado nas areias da lagoa de Jacaroá. A areia de Maricá foi seu primeiro cofre, pois foi na terra deste município que ele plantou e colheu os frutos de sua vida!

Já com 10 ou 11 anos, usou suas economias para comprar uma leitoa. Este foi seu primeiro investimento.
Comprou um cavalo aos 12 anos... Passou a comprar e vender pescado... Um ano depois, um senhor, “Seu Cinto Crioulo” ou “Cinto Sanfoneiro” (assim conhecido por animar festas), por quem Jacintho nutria grande admiração, quase um herói, que fazia viagens a Niterói para vender seus peixes, começou a levar Jacintho consigo em viagens mais longas. Aos 17 anos, Jacintho já tinha sua tropa de animais para levar seu próprio pescado, carvão e esteiras de taboa, trazendo de volta o que Maricá precisava. Um pioneiro e desbravador no transporte de bens de consumo essenciais nos lombos dos burros, utilizando vias de difícil acesso. Talvez daí viesse sua verdadeira obstinação pelo progresso econômico e social da região.

A libertação dos escravos, no final do séc. XIX, provocou efeitos nefastos na economia fluminense, altamente dependente desta mão-de-obra. A falta de flexibilidade e de percepção do problema, pelas classes dominantes, piorava ainda mais essa situação. O Estado do Rio, sem poder de recuperação, permitiu que São Paulo assumisse a posição de principal pólo econômico do país. O trabalho remunerado já era adotado naquela região, graças aos imigrantes italianos.

Jacintho, ao perceber o que ocorria em nosso Estado, organizou um sistema de transporte de cargas, em lombos de burros, que se expandia na medida das suas necessidades e, distribuía mercadorias entre Maricá, São Gonçalo, Itaboraí e Niterói, passando, dessa forma, a promover, ainda muito jovem, o intercâmbio comercial entre os municípios.

Nota: O menino pobre da Mumbuca, desprovido de alma e luz própria, elaborou seu plano de tomada de poder enaltecendo seus desvarios futuros, tripudiando daqueles que deixaram seus nomes na história do município. O pequeno sanguessuga político-partidário, vazio de princípios, gastou todas as suas forças, num esforço hercúleo para ser o mais desprezível ser que já tenha pisado nessas terras. Mal sabe ele que não precisaria tamanha energia desprendida, para tanto bastaria existir.

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