terça-feira, 9 de abril de 2013

As perdas fundamentais de nossa região

Por Cleber Fernandes - Na década de 60 espoucaram diversas guerrilhas e atentados tendo em vista o crescimento da ideia comunista no País, visto estes estarem fortemente encravados na administração federal. Governadores do então Estado da Guanabara que mais tarde, depois da “fusão”, tornou-se Estado do Rio de janeiro, Carlos Lacerda e do Estado de São Paulo, Adhemar de Barros, ambos de extrema direita, articulavam um esquema paramilitar com mais de 30 mil homens, fortemente armados para abafar o então crescente ideal comunista e estes por sua vez já vinham a tempos provocando situações de guerrilha, terrorismo e ataques isolados à resistência comunista no Brasil. 

Na noite de 31 de março para 1º de abril de 1964, uma gigantesca mobilização militar tomou as ruas da Cidade do Rio de janeiro e de São Paulo, fazendo bloqueios e colocando a liderança esquerdista para correr e isto tudo sem qualquer derramamento de sangue. As pretensões da extrema direita de Lacerda e Adhemar que apesar de combater os comunistas ferrenhamente também foram aniquiladas, instalando-se assim, o Regime Militar no País. O período pós revolução, provocou muitas situações de medo e dúvidas em todo o Brasil, não só pelas constantes medidas repressivas tomadas pelos então governantes militares, no chamado “ Golpe Militar de 64” que depuseram o Governo Federal de João Belchior Marques Goulart e o País ficou sendo governado por uma junta militar alinhada com os ideais norte americanos, o que acarretou inúmeras modificações na organização política do Estado Brasileiro. 

No mesmo ano da revolução foi definitivamente desativada a estrada de ferro que atendia Maricá e a Região dos Lagos que muito progresso trazia a todo leste fluminense, medida está tomada para beneficiar a evolução das construções de rodovias e industria automobilística que tomava um impulso mais acelerado e esta decisão foi fundamentada pelo Interventor à época, como sendo a estrada de ferro uma simples forma de transporte de Abacaxi, que conforme ele dizia era a única produção da Região dos Lagos, o que todos sabemos e a própria história narrou não ser a verdade. Vamos voltar novamente um pouco na história para uma análise da situação politica, administrativa e geográfica de nosso Município para que possamos mostrar as perdas de Maricá nestes três aspectos. Como já falamos nos primeiros capítulos, Maricá surgiu denominadamente como Vila de Santa Maria de Maricá em 1814 e elevada a condição de Cidade de Maricá em 1889 quando da Proclamação da República do Brasil. Em 1992 foi criado o distrito de Ubatiba, o qual, foi anexado ao Município de Maricá e com a divisão administrativa das cidades brasileiras em 1911, nossa região passou a ter dois distritos, Maricá e Ubatiba, o segundo mais tarde passou a se denominar Flamengo, que se tornou um bairro que existe até os dias atuais. Em 1926 é criado o Distrito de Inoã após inúmeras representações sócio econômicas e politicas, o qual englobava os bairros de São José do Imbassaí, do Calaboca e de “Itaipu-açú”. Em 1964 ocorreu a criação do Distrito de Manoel Ribeiro, que antes era chamado de “ Itapereiú”, e mais tarde se tornando Distrito de Ponta Negra ao norte do Município, formando assim o quadro administrativo da região de Maricá até meados do ano de 2000. Com o crescimento populacional da região após o período de manutenção da Ditadura Militar, novas necessidades foram se apresentando nos aspectos administrativos, econômicos, turísticos, sociais e políticos de nossa cidade e com isso foi criado o Distrito de Itaipuaçú, fazendo o quadro administrativo que hoje ainda se mantém.

Como complemento a este trabalho vamos a seguir apresentar os pontos turísticos e culturais do Município de Maricá para que os leitores possam saber da riqueza turística e cultural que temos em nossa região. São eles: PARQUES: Parque Estadual da Serra da Tiririca e Ruínas da Antiga Estrada de Ferro Maricá (1888) Estação Calaboca (1940) (Inoã).TEATRO: Anfiteatro Municipal de Maricá situado à Praça Orlando de Barros Pimentel no Centro. PODER EXECUTIVO E LEGISLATIVO: Prefeitura Municipal de Maricá; Câmara de Vereadores do Município. ATRATIVOS TURÍSTICOS: Praia do Recanto (Itaipuaçú); Praia de Itaipuaçú (Itaipuaçú); Ilhas Maricás (em frente à praia de Itaipuaçú); Pedra do Elefante (412mts.) (Itaipuaçú); Pedra de Itaocaia (363mts.) (Itaipuaçú); Pedra de Inoã (400mts) (Inoã); Pedra do Macaco (203mts.) (São José de Imbassaí); Pedra do Silvado (623mts.) (Silvado); Cachoeiras de Espraiado (Espraiado) Ponta Negra e Farol de Ponta Negra; Lagoa de Araçatiba, Lagoa de Maricá; Lagoa do Padre; Praia de Jacaroá, Praia de Zacarias; Praia da Barra; Praia de Guaratiba; Praia de Cordeirinho; Lagoa de Guarapina; Lagoa de Jaconé; Praia de Ponta Negra; Canal de Ponta Negra; Praia da Sacristia; Áreas de Interesse Arqueológico e Paleontológico; Área de Preservação Ambiental da Restinga de Maricá (APA); Parque Estadual da Serra da Tiririca (APA); Serra de Calaboca; Serra do Telégrafo; Serra do Macaco; Serra do Camburi; Serra do Espraiado (APA); Serra do Silvado; Serra do Mato Grosso; Fazenda do Pilar; Fazenda do Bananal (1802); Fazenda do Bom Jardim (1817); Fazenda de Itaocaia; Fazenda do Macaco; Casa de Cultura (1841); Praça Orlando de Barros Pimentel (Centro de Maricá); Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo (1802); Igreja Nossa Senhora da Saúde (1600) (Ubatiba); Igreja de São José (1675) (São José de Imbassaí); Capela de São Pedro (1840) (Araçatiba); Capela de São Jorge (Espraiado); Capela de Santa Edwiges (Guaratiba) Capela de São Pedro (Ponta Negra). Para complementar e melhor localizar nossa região apresentamos também as coordenadas geográficas que são as seguintes: 22°54'52"S 42°49'4"W, ou seja, se você digitar na pesquisa de mapas do Google, aparecerá o Mapa de Nosso Município, com suas ruas atuais, bairros, distritos e regiões limítrofes. Outro aspecto importante de nossa narrativa é identificar a procedência de nomes dados a bairros e regiões de nosso Município como forma de recuperar a história que vem da época em que nossa região era habitada por indígenas, bem antes do Descobrimento do Brasil. São eles: ITAIPUAÇÚ: foi chamada até a metade deste século de Itaipu-açú, cuja tradução em tupi é “ITA”-pedra;”IG”-água;”POC”-rebentar;-”AÇU”-grande; formando a frase “Pedra grande onde rebenta água”; IMBASSAI: oriundo dos termos em tupi “HI” – rio e“MBASSAI”- palmitos, traduzindo-se “Rio dos Palmitos”; INOÃ: do tupi, tem várias acepções: “campo alto”,corruptela de “NONÔ que quer dizer “encurtar, afunilar”. A Serra de Inoã afunila-se ao se encontrar com a Serra da Tiririca; ITAPEBA: do tupi “pedra chata”; UBATIBA: “canavial bravo”.

Continuando a falar do lado econômico e produtivo de nossa região, Maricá e a Região dos Lagos nunca foram só polo de produção de Abacaxi, pois como já narrado anteriormente haviam Fazendas de produção de Cana de açúcar, Café, Hortifrutigranjeiros, mudas de plantas ornamentais e frutíferas e gado em geral, bovinos, equinos, ovinos, suínos, etc...sem contar com a vastíssima produção de pescado e sal que abastecia toda região metropolitana do Rio de Janeiro. A justificativa apresentada em 1964 pelo interventor que resolveu desativar a linha férrea desta região não tem o menor fundamento. Com certeza outros interesses haviam nesta iniciativa, pois a região era bastante politizada e se sabe que muitas reuniões dos movimentos comunistas e da resistência ao Regime Militar tinham suas bases aqui na região e acreditamos que por este motivo, para melhor serem fiscalizados e também para promover outros tópicos de crescimento da região ocorreu tal desativação.

A ideia de transformar nossa região em um grande polo imobiliário para atender ao crescimento populacional da região metropolitana através do loteamento das Fazendas existentes, como por exemplo a Fazenda São Bento, surgiu com o aparecimento de um grande projeto trazido pelo senhor Lúcio Thomé Feiteira ainda na década de setenta, projeto este que pretendia tornar realidade um projeto grandioso que era criar uma comunidade chamada Cidade de São Bento da Lagoa. Serviços de terraplanagem foram iniciados e foram provocando diversas alterações na geografia, na fauna e na flora da região. Em 1975, uma grande mortandade de peixes ocorreu no mesmo período, mortandade esta, que chegou a ter em alguns dias o acumulo de mais de duzentas toneladas de peixe, nas lagoas e nas praias do entorno do empreendimento. A especulação imobiliária começava a mostrar sua “cara” para Maricá. A população mais pobre e desprotegida que em sua grande maioria vivia da pesca artesanal se sentiram perdidos e totalmente desprotegidos economicamente falando e provocaram vários episódios de rebelião aos fatos e aos acontecimentos. Somados a esse episodio, já havia ocorrido em larga escala, o assoreamento das lagoas, adulteração da flora e da fauna das Apas (Área de Preservação Ambiental), que englobavam as áreas de restinga, de florestas, Serras e da manutenção dos cinturões de proteção marinha que ainda evitavam a destruição das margens quando da ocorrência das grandes ressacas do mar da região. Com a especulação imobiliária e a ambição de crescimento desordenado tivemos ao longo de décadas uma verdadeira destruição de nosso patrimônio ecológico e tudo isto com a benevolência das autoridades competentes, muitos desses grandes interessados nesta especulação imobiliária com fins políticos e econômicos. Várias discussões se iniciaram à época provocando divergências quanto ao crescimento populacional da região e muitos movimentos foram iniciados para desacelerar os empreendimentos imobiliários e criar formas de preservação do patrimônio geográfico da região e que culminou na criação da APA de Maricá. A verdade é que a APA criada através da lei Municipal nº 7230 em 1984, nunca teve por parte dos governantes e legisladores maricaenses uma atenção especial, pois para eles a região foi aos poucos se transformando em um grande empreendimento imobiliário e muitas áreas de preservação estão hoje invadidas e loteadas para atender suas próprias ganâncias e interesses políticos. Ou seja, com a transformação das grandes Sesmarias do século XVI, das fazendas produtivas do século XVIII e XIX e dos grandes reservatórios de fauna e flora existentes na região no inicio do século XX em grandes e lucrativos empreendimentos imobiliários, hoje restam grandes áreas desmatadas, restingas decadentes, lagoas poluídas e assoreadas, praias sobre o constante risco de grandes inundações em face das ressacas pela falta do cinturão marinho e tudo isto provocado principalmente pela explosão demográfica, pelos interesses financeiros e pela expansão imobiliária provocada principalmente pelos alucinados políticos que dirigiram este Município ao longo de muitas décadas. Nos últimos cinquenta anos Maricá foi literalmente arrasada em termos geográficos, mapas e alfarrábios antigos revelam claramente tal situação, pois a geografia local hoje difere em grande parte do que tínhamos a um século atrás.

Continua no CAPITULO V – A FORÇA POLÍTICA E A FRÁGIL ECONOMIA DE MARICÁ EM SEUS DIVERSOS MEANDROS.....em breve.

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