quinta-feira, 25 de abril de 2013

Índios já podem ocupar a restinga de Maricá, segundo Quaquá

Os índios tupis-guaranis que se instalaram numa área na restinga de Maricá (localidade de Zacarias), nos últimos dias, onde seria construído um resort, terão a permanência no local garantida pela Prefeitura. Nesta quarta-feira, em nota oficial, o prefeito Washington Quaquá informou que os indígenas serão bem acolhidos no município e terão todo o apoio do Poder Executivo para organizar na cidade a sua aldeia, dando a ela, inclusive, uma característica cultural e artística.

A área já havia sido cedida aos índios pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá, desde 2009. Os índios, que estavam instalados em Camboinhas desde abril de 2008, encontravam-se em conflito com os  moradores do bairro de classe média alta, porém atraindo o apoio de ambientalistas. Aproveitando-se desse filão, o prefeito Washington Quaquá, dizendo estar “preocupado com essa questão social”, ofereceu a área da região de Zacarias para que eles pudessem viver levando a cultura tupi-guarani para o município. O local representa parte da restinga de Maricá, e é considerado área de proteção ambiental.

História

Em 2006, na gestão do ex-prefeito Ricardo Queiroz, essa área foi vendida pelo grupo Cintra para o consórcio luso-espanhol IDB, que projetou construir ali um resort orçado em cerca de R$ 8 bilhões (dois condomínios residenciais, espaço comercial e de alimentação, um campo de golfe para provas de nível internacional, um centro equestre, uma marina para 1.100 barcos e um centro de tênis) para 95 mil habitantes, em um lote de 841 hectares com oito quilômetros de praia e cinco de lagoa. No entanto o projeto não foi à frente, pois os ambientalistas alegaram que tal área, além protegida ambientalmente, é formada por terrenos de marinha, que são bens da União.

O grupo indígena foi recebido pelo
prefeito Washington Quaquá
No dia 17 de maio de 2009, já na gestão Quaquá, dez índios, da aldeia Tekoa Myboy-ty Itarypu, que ocupavam parte da restinga de Camboinhas, em Niterói, visitaram Maricá, a convite da Prefeitura. Eles se reuniram com o prefeito Washington Quaquá e com os secretários de Assistência Social, Cidadania e Participação Popular, Marcos de Dios, e de Trabalho e Emprego, Gegê Galindo, que lhes ofereceram espaço para se fixarem na localidade de Zacarias, em área de preservação ambiental, junto a uma colônia de pescadores.


Cacique Daci Tupã (de vermelho) conversa com equipe da Secretaria de Assistência Social / Foto: Divulgação
Os índios visitaram a restinga acompanhados
pelas autoridades maricaenses
- Há algum tempo acompanhamos a ocupação dos índios em Camboinhas e temos grande interesse em trazê-los para Maricá, tanto por solidariedade a esse povo tão discriminado e injustiçado quanto pelo ponto de vista turístico, que também é muito importante para nós - disse o prefeito, naquela ocasião.

Depois dessa reunião com as autoridades maricaenses, os indígenas fizeram um tour pela cidade para conhecer as belezas naturais do município, com direito a um belo almoço.

Conflito em Camboinhas

Durante todo o período em que os índios estiveram instalados em suas ocas numa área de sambaquis (cemitérios indígenas) à beira da praia, no bairro de Camboinhas, em Niterói, num dos endereços mais valorizados da região, os moradores daquela localidade se mobilizaram constantemente para expulsá-los de lá.

Nesse ínterim, a Sociedade Pró Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas (Soprecam) encaminhou ofício ao Ministério Público Federal, questionando a propriedade da terra, alegando que os indígenas estavam destruindo área de restinga e de preservação ambiental.

Concomitantemente, os moradores, através de sua associação, reclamavam que os índios nadavam nus e alegavam que eles são aculturados, e portanto não haveria justificativa para que vivessem numa aldeia. "Eles têm laptop, mandam e-mail, têm até carro e estão transformando o local num camelódromo de artesanato", alegou, na época, a advogada da Soprecam, Adriana Alves da Cunha e Souza.

Em contrapartida, os índios negaram essa versão. Eles disseram que se instalaram ali como forma de preservar a área de sambaquis. "Ali tem cinco cemitérios e já havia autorização da prefeitura para construção de um condomínio. Há cinco anos fazemos manifestações ali contra esse empreendimento. E então, sugerimos ao IEF (Instituto Estadual de Florestas) um projeto para proteção ambiental com manejo indígena. Estamos negociando", afirmou o advogado Arão da Providência Araújo Filho, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e ele próprio um índio guajajara.
"Acho que o discurso da Soprecam é o da intolerância, da discriminação. Somente as crianças nadam nuas. Queremos ter laptop, televisão, que nossas crianças tenham acesso à informação como as crianças brancas, mas sem perder nossa cultura. A cultura originária incomoda? Então será necessário falar claro e partir para o extermínio, porque somos urbanos agora", afirmou Araújo Filho.

Ainda segundo o advogado, os Tupis-Guaranis chegaram em Camboinhas no fim de março de 2008 e ergueram quatro ocas e uma escola, onde as crianças aprendiam guarani, português e matemática. Eles haviam deixado Paraty, no litoral sul fluminense, depois de uma disputa étnica e fugindo de dificuldades financeiras.

Na ocasião, o Ministério Público Federal informou que abriu procedimento para investigar a denúncia da Soprecam. Uma arqueóloga teria preparado um relatório sobre a presença indígena na região.

Em nota, a assessoria de Imprensa do IEF informou que a legislação não permite a presença de moradores em unidades de conservação - os índios estão na área do Parque Estadual da Serra da Tiririca. "Pretende-se um acordo para que haja uma desocupação pacífica e consensual", informou o texto. A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que não recebeu nenhum pedido para que a região seja reconhecida como terra indígena.

3 comentários:

Anônimo disse...

Tá de sacanagem... QUAQUA, tá com pena? LEVA PRA ZEIDAM!

Fotografia disse...

QUAQUA esta ha um passo de virar KAKAKAKAKA.
É ridículo, uma cidade que tem uma vasta área e grande potencial para ser um polo turístico, com criação de Resorts, parks e condominios ser uma piada em desenvolvimento, e os pseudos governantes dizerem que estão trazendo Índios pois estão preocupados com "Turismos". Até qdo Maricá vai continuar sendo governadas por gentinhas gananciosas e sem escrúpulos, cultura e pior sem visão de bons negócio. Muito bom esses governantes de Maricá que só pensão em enriquecer e pior por esmolas.

Anônimo disse...

Vergonha total !!!
Enquanto colocarmos governantes como este estúpido no poder vamos ver essas coisas acontecendo.

VERGONHA

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