terça-feira, 1 de outubro de 2013

Delegado divulga detalhes da morte do jovem turista russo, em Maricá

A notícia do assassinato do estudante russo Sergey Danchin, de 17 anos, no final de semana em Maricá, no Estado do Rio de Janeiro, está tendo grande repercussão no Brasil e na Rússia. Danshin havia chegado àquele município na quinta-feira, 26 de setembro, junto com mais um colega russo e dois colegas iranianos, todos estudantes de um curso em Londres, na Inglaterra.
Dr. Júlio Cesar Mulatinho, Titular
da 82ª DP (Foto: Marcelo Bessa)
Eles viajaram ao Brasil acompanhados por um professor vietnamita naturalizado norte-americano e colega do professor inglês deste mesmo curso que já aguardava pela chegada do grupo à casa de um amigo em Maricá. Por volta das 11 horas da noite da sexta-feira, 27, Sergey Danchin, sem dizer para onde iria, saiu da casa em que o grupo estava hospedado e na manhã do sábado, 28, todos foram informados de que o corpo do jovem, com marcas de tiros, havia sido encontrado numa ribanceira junto à praia de Itaipuaçu.
Nesta terça-feira, 1.º de outubro, o jornalista e radialista Arnaldo Risemberg, do Programa Voz da Rússia, entrevistou por telefone o titular da Delegacia 82 de Maricá, Dr. Júlio Cesar Mulatinho, que falou sobre o rumo das investigações em torno do crime e do suspeito de ter assassinado Sergey Danchin. A seguir, a íntegra da entrevista, transmitida no Programa Voz da Rússia.
Voz da Rússia –  Dr. Júlio César Mulatinho, é um grande prazer conversar com o senhor.
Júlio César Mulatinho –  O prazer é meu. Olha só: nós, desde que tomamos conhecimento dos fatos, no sábado pela manhã, iniciamos as investigações. Só que se tornou muito difícil pegar uma linha de investigação, porque uma pessoa que nunca esteve no país, chegou ao país um dia antes, não tinha contato com ninguém, não falava com ninguém, não falava a língua portuguesa, então, a partir daí, a gente não tinha a mínima suspeita. Até porque nós descartamos, logo no início, a hipótese de roubo, porque foram encontrados junto ao corpo um telefone celular caríssimo, cartões de crédito, um cordão de ouro, então isso dificultou ainda mais a nossa investigação. Descartamos então a hipótese de roubo, e começamos a fazer, no dia seguinte, com a ajuda dos outros estudantes, que se encontravam na mesma casa em que estava o estudante russo, e com a ajuda do dono da casa em que eles estavam hospedados, começamos a fazer a reconstituição dos lugares a que ele foi, da hora em que saiu, para ver se a gente poderia chegar a um ponto ou ao local em que teria ocorrido o crime.
VR –  Dr. Júlio Cesar, vamos ver se as informações que nós temos são as informações que foram levantadas pela polícia. As informações que temos são de que Sergey Danchin chegou a Maricá na quinta-feira, 26 de setembro, em companhia de um grupo de estudantes russos e iranianos, e de um professor de um curso que estão realizando em Londres, na Inglaterra. Hospedaram-se na casa de um amigo deste professor em Maricá. Teriam chegado a esta casa na quinta-feira, 26, e na noite da sexta-feira, 27, todos teriam saído para um bar e retornado, em seguida, para a casa em que estavam hospedados. E, por volta das 11 da noite, Sergey deixou a casa, não se comunicou com os demais colegas, não disse aonde iria, e na manhã seguinte os seus colegas e o seu professor foram informados de que o seu corpo havia sido encontrado em Itaipuaçu. Essas informações estão exatas?
JCM –  Sim. Foi realmente o que ocorreu. Ele saiu pela noite, sem o conhecimento de ninguém, armou a cama com travesseiros, cobriu com uma colcha para dar a impressão de que havia alguém deitado ali, que estivesse dormindo coberto, e então, somente pela manhã os colegas descobriram que ele não estava na cama. Aí, foram procurar por ele. Ficaram preocupados e foram procurar.
VR –  Sem que nenhum deles conhecesse a região.
JCM –  Sem que nenhum deles conhecesse a região e conhecesse alguém.
VR –  E o proprietário da casa em que eles estão hospedados, é brasileiro?
JCM –  É brasileiro e é companheiro do professor inglês.
VR –  Qual foi o motivo da viagem deles à Maricá? Férias?
JCM –  O Phillip, que é professor desse colégio na Inglaterra, já veio cinco vezes ao Brasil, trazendo estudantes para fazer turismo e cursos aqui no Brasil. Esta é a quinta vez em que ele vem ao Brasil. Ele esteve três vezes no Rio de Janeiro e duas vezes no Estado do Amazonas. Então, ele traz estudantes deste curso na Inglaterra para o Brasil.
VR –  São quantas pessoas que fazem parte do grupo, além da vítima?
JCM –  São cinco. Dois estudantes russos, dois estudantes iranianos e um professor vietnamita naturalizado norte-americano.
VR –  E o professor inglês?
JCM –  O inglês já estava no Brasil aguardando por eles, na casa do companheiro.
VR –  Os jovens são estudantes de faculdades?
JCM –  Não. São estudantes de um curso na Inglaterra.
VR –  Vieram então todos para o Brasil, querendo conhecer um recanto turístico, e optaram por se estabelecer em Maricá.
JCM –  Não. Todas as vezes em que este professor vem ao Brasil, acompanhado por alunos, ele se hospeda em Maricá porque, embora seja um município litorâneo, ele é muito próximo à cidade do Rio de Janeiro. Então, o acesso do e para o Rio de Janeiro é muito rápido.
VR –  Em torno de 40 a 50 minutos para quem viaja de carro.
JCM –  Ou até menos, dependendo das condições do tráfego. Então, Maricá fica muito próximo do Rio e está localizado na Região dos Lagos, uma área de praias, que vai de Maricá até Cabo Frio.
VR –  Dr. Júlio Cesar, o senhor está há quanto tempo à frente da Delegacia de Maricá?
JCM –  Vim para cá na semana passada.
VR –  O senhor tinha conhecimento de que havia casos de violência em Maricá? Parece que Maricá não tem registrado grandes casos de violência.
JCM –  Eu vim para cá e sou residente há dez anos neste município.
VR –  Então, o senhor conhece bem Maricá?
JCM –  Conheço bem, e Maricá é considerado no Estado do Rio de Janeiro como um município muito calmo, sem violência, praticamente sem violência.
VR –  Não há registros de casos de violência em Maricá.
JCM –  Esse tipo de registro, como o crime do estudante russo, a gente não tem. É claro que ocorrem crimes aqui como ocorrem crimes em qualquer lugar do mundo, por vários motivos. Mas, aqui, não há uma frequência. Existe roubo, mas não com frequência. Não é como a cidade do Rio de Janeiro. Esse recanto em que os professores e os estudantes estão é um local calmíssimo. Itaipuaçu é um local de veraneio.
VR –  Uma praia belíssima.
JCM –  Uma praia belíssima. É um local de veraneio. As pessoas vêm até aqui para veranear. Ali onde eles estavam é uma área de colônia de pesca.
VR –  Mais razão ainda para ser um local tranquilo.
JCM –  Exato. Agora, há muita coisa ainda que a gente não sabe. O que a gente sabe é que o Sergey saiu para procurar entorpecente. Então, essa é a razão para ele ter saído sem avisar. Eles chamam esse entorpecente de cannabis, nós chamamos de maconha. Ele queria cannabis de qualquer jeito, e saiu da casa. Primeiramente, ele saiu com um amigo dele, também estudante russo. Voltaram para casa, e, depois, ele saiu sozinho.
VR –  Dr. Júlio Cesar, quando tomei conhecimento deste fato, imediatamente me ocorreu que uma das hipóteses para explicar esse crime poderia ser essa, haver algum envolvimento com tráfico e uso de drogas.
JCM –  A motivação do crime foi essa.
VR –  E as características do crime são mesmo de execução? Foram três tiros na nuca que o Sergey recebeu?
JCM –  Sim, as características são de execução. Só que a gente não vê motivo para isso.       
VR –  Normalmente, pela experiência jornalística que se tem com estes fatos, e o senhor poderá dizer isso com muito mais propriedade do que eu, este é o caso típico de dívida formada com traficantes.
JCM –  Essa hipótese também foi descartada porque o Sergey estava aqui há apenas 24 horas. Ele não teve tempo de contrair dívidas. Ele pode ter lidado com alguém, entorpecido também, o que gera uma consequência como essa.  
VR –  Com que linha de raciocínio o senhor está lidando para elucidar este crime?
JCM –  Nós já sabemos que, quando o Sergey saiu da casa, ele teve contato com alguém que estava dentro de um veículo. Então, com a ajuda deste amigo russo, seu colega, conseguimos fazer um retrato falado e estamos investigando.
VR –  Um assassino, ou haveria outras pessoas?
JCM –  Uma pessoa.
VR –  O retrato falado já foi divulgado?
JCM –  Não, está com a gente aqui e ficou pronto somente ontem à noite.
VR –  O senhor pretende divulgá-lo?
JCM –  Eu vou divulgar.
VR –  Ainda hoje?
JCM –  Ainda hoje.
VR –  Quais são as características desse suspeito? O senhor pode nos adiantar?
JCM –  Uma pessoa de compleição física forte, estatura mediana, branca, cabelos encaracolados claros.
VR –  Cor da pele?
JCM –  Branca.
VR –  Aparenta que idade?
JCM –  Trinta e poucos anos.
VR –  Tem alguma característica física especial, algum sinal?
JCM –  Não temos esta informação. O contato visual foi muito rápido, e não houve meios para fixar maiores detalhes. Depois da conversa, o Sergey voltou sozinho.
VR –  Outra informação que temos é que o Sergey foi assassinado num local e o seu corpo deixado em outro local.
JCM –  Também não sabemos. Onde o corpo foi encontrado, não havia vestígios de sangue. Quer dizer, naturalmente, ele não foi morto ali, no local em que o corpo foi encontrado. Ele foi jogado numa ribanceira. Estamos pensando que o Sergey pode ter sido morto dentro de um veículo e que a pessoa que o matou passou por aquele local e jogou o corpo.
VR –  Nesta área, é comum haver cadáveres?
JCM –  Não, não. É uma área tranquila, de colônia de pesca, totalmente calma e sem violência.
VR –  As características deste crime são absolutamente inéditas.
JCM –  Sim. E é justamente isso o que dificulta a investigação.
VR –  O senhor está passando o inquérito para a Delegacia de Homicídios de Niterói, que também atua na área de Maricá?
JCM –  Até agora, não. Eu continuo na presidência deste inquérito.
VR –  O senhor seguirá com o inquérito até que fase?
JCM –  A gente vai pedir, certamente, a colaboração da Delegacia de Homicídios. Mas não necessariamente a gente precisa mandar o inquérito. A gente faz o inquérito e recebe a ajuda da Delegacia de Homicídios.
VR –  Perdoe-me por insistir na pergunta, mas o senhor já formulou uma linha de raciocínio que presidirá a sua investigação e o levará a elucidar o crime?
JCM –  Sim. A gente está investigando, com informantes acionados, da forma como a Polícia trabalha.
VR –  O Disque Denúncia pode ajudá-lo, pode contribuir para a elucidação deste caso?
JCM –  Já está ajudando, e já está colaborando.
JCM –  O senhor já está recebendo informações?
VR –  Então, fica o apelo do Programa Voz da Rússia para que as pessoas que possam colaborar para a investigação deste crime façam contato com o serviço Disque Denúncia, pelo número 2253-1177. Esse serviço funciona 24 horas por dia, e o comunicante não precisa se identificar. Não precisa ter temor algum.
JCM –  Isso mesmo.
VR –  Dr. Júlio César Mulatinho, eu quero lhe agradecer, imensamente, por esta entrevista concedida ao Programa Voz da Rússia, e se nos permitir, gostaria de falar novamente até o final desta semana para saber da evolução das investigações em torno do assassinato do estudante russo Sergey Danchin em Maricá.
JCM –  Vocês podem ter certeza de que nós estamos com o máximo empenho em esclarecer este crime.
VR –  Perfeitamente. Vamos dar tempo ao tempo para que o senhor disponha de um volume mais consistente de dados e reúna novas informações em torno deste crime. Quando o senhor receberá o laudo cadavérico de Sergey Danchin?
JCM –  Até o final desta semana?
VR –  O senhor acredita que até sexta-feira tenha este laudo?
JCM –  Sim.
VR –  Então, podemos agendar uma nova entrevista para sexta-feira, dia 4 de outubro?
JCM –  Pode sim, meu amigo.
VR –  Muito obrigado, Dr. Júlio César Mulatinho, delegado titular da Delegacia 82 de Maricá, por esta entrevista concedida ao Programa Voz da Rússia.
 Fonte: A voz da Rússia

3 comentários:

Anônimo disse...

dizer que itaipuaçu é um lugar bem tranquilo é bem estranho... diversos casos de assalto a residência são divulgados todas semana... eles não são esclarecidos o que é bem diferente de não acontecerem
esse caso do estudante é bem ilustrativo da situação em itaipuaçu, ora se o cidadão estava num local a 24 horas ele já sabia como e onde encontrar entorpecente? se a venda está tão ostensiva assim o que faz a polícia que não coíbe? quem será que apresentou ao russo o ponto de vendas de droga? imagina o diálogo do russo em ingles com o traficante? mais uma história mal contada e que se for investigada vai sobrar pra mais alguéns...

Anônimo disse...

Itaipuaçu é realmente muito tranquilo, dizer que ocorram assaltos e blá blá blá é mi mi mi de gente invejosa. No RJ registram-se 16 assassinatos por dia, 7 desaparecimentos, inúmeros assaltos são registrados e muitos outros nem registro se fazem por descrença no poder público. Aqui é um lugar de muita calma e muitos poucos registros de ocorrências.

Anônimo disse...

ao amigo anonimo de 1218,

faltou o simpatico amigo dizer que a populaçao do rio de janeiro é de 6 milhões de habitantes enquanto a de maricá é de 110.000.
realmente tem muita gente invejosa em itaipuaçu... principalmente dos bairros onde tem saneamento, educação, saúde, segurança pública
em Maricá no último mês ocorreram 4 assassinatos, divulgados pelos jornais
aqueles que pagam cerca de 600 paus de IPTU com certeza não estão satisfeitos com o que temos aqui
mas, numa cidade onde um prefeito que nada faz é re-eleito, os vereadores são os que são, e a população ainda aplaude esperar o que né?

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