domingo, 27 de abril de 2014

DEFENDA-SE! As Forças Armadas do Arcanjo São Miguel

Artigo :: Maurício Pássaro

Profeta Isaías, investigando o mistério da origem do Mal sete séculos antes de Cristo, faz a seguinte indagação: “Como caístes lá dos céus, ó astro da manhã, filho da aurora?” Isaías estava intrigado para saber como foi que o Mal surgiu e se instalou tão profundamente no seio da criação divina, e como foi, por que afinal Deus o permitiu.

As crônicas antigas do judaísmo contam que houve um dissídio no Céu liderado por Lúcifer, um Serafim (alguns autores falam em Querubim) de altíssima patente, um general seis estrelas que sempre foi fiel ao Criador em todas as coisas. É muito difícil de entendermos como uma alta entidade provida de tantos recursos cai no infantilismo de querer destronar o indestronável, de querer subverter a natureza das coisas. Lembra a criança de cinco anos que pergunta sem parar o porquê de tudo, aos pais. Perguntar-se por que Deus deve ser Deus é o mesmo que se questionar por que um triângulo deve ter três lados ou por que a água é molhada e o fogo queima. Questionamentos, dúvidas, racionalizações são os cavalos que puxam a carruagem do espírito, que os controla na rédea da sabedoria, ora afrouxando, ora apertando. Lúcifer fez seus cavalos se soltarem da carruagem, e agora eles trazem caos ao mundo, a carruagem despenca no abismo, sem controle. Como se principiou este pensamento daninho em sua cabeça de Serafim? E se ele foi assoprado, quem o assoprou? Uma tese acerca da origem do Mal, para ser uma boa tese, precisa de alguma forma conciliar – não sabemos como – todos esses paradoxos.

Particularmente, considerando minha ignorância, procuro contextualizar as coisas num plano evolutivo. A ciência demonstra a evolução material, por meio de pesquisas – como saímos dos humanoides, por exemplo – enquanto que a religião, por meio da fé, faz evoluir o espírito. Uma corrente de pensamento apregoa que os seres angelicais são uma criação à parte. Outros dizem que não, que eles passaram por evolução, no passado remoto, quando ainda não existíamos como indivíduos humanos. Mas, se os anjos foram feitos à parte, constituídos na perfeição da luz, como foi que o maior deles, na hierarquia, caiu? A ideia de que simplesmente desejava tomar o trono de Deus não coaduna com uma alta inteligência. Mais parece o traço de um comportamento infantil, rebeldia sem causa, já que nada lhe faltava. Penso que seja mais coerente dizer que Lúcifer não passou numa provação e caiu. Deus não o tentou. Mas, criou uma situação em que lhe fez revelar uma grande fraqueza:

1º O Demiurgo anunciou que no futuro encarnaria entre os homens, filhos de Adão e Eva, a fim de resgatar e salvar a todos;

2º Os seres angelicais teriam que adorá-LO quando encarnasse;

3º A Mãe, o ventre sagrado onde nasceria o Criador, também seria adorada pelos séculos dos séculos e no fim do ciclo pisaria na cabeça da serpente – o amor do coração dominando de uma vez por todas a racionalidade mental.

No meio da cisão, enquanto Lúcifer, alta patente do primeiro grau, seduzia a um terço dos anjos, São Miguel, um tenente ou capitão do oitavo grau erguia sua espada reluzente de fogo, sem triscar, e a bradar: “Quem é como Deus?” Uma pergunta que é uma afirmação. Nesse momento São Miguel é como Deus, pois O invoca e ganha coragem para enfrentar o general seis estrelas mais um terço de anjos. Enquanto que Lúcifer deseja ser o próprio Deus, não “como Deus”. Inicia se rebelando, não se curvaria ao Deus-homem nem à Mãe Virgem. Depois assume de vez a loucura de projetar um universo paralelo onde ele é Deus e possui a sua própria criação. Percebo, pelo menos, dois bons ensinamentos:

1º Ninguém é tão alto na hierarquia que esteja livre de cair;

2º Ninguém está tão baixo que não possa invocar forças de Deus e coragem para enfrentar um adversário aparentemente mais forte.

Estas são razões suficientes para provar o orgulho e a testar a humildade. Prefiro acreditar assim – um eterno e infinito processo evolutivo dentro do qual despertamos ouvindo o eco desse passado longínquo. Há crônicas muito curiosas sobre o tema. Numa delas, São Miguel, por seu grande amor, interpela ao Criador pelo Serafim caído, exilado, que então passou a se chamar Satanás (adversário), antes era Lúcifer, a estrela reluzente da manhã, filho da aurora, como disse o profeta Isaías. Deus responde que já tentara perdoá-lo. Seria uma reviravolta em seu processo evolucionário, no mundo inteiro, ele aprenderia, cresceria. Claro, antes purgaria tudo o que fez a todos sofrer, ninguém escapa do que semeou, mas no fim, estaria renascido. E mais: com a sua entrega, todos os seus subordinados capitulariam em consequência, não teriam mais razão de rebeldia. E brigar contra o Criador seria brigar contra o seu antigo chefe. Mas, Satanás dispensou a chance e manteve sua rebeldia.

Estudar essas crônicas fez-me inspirar na modesta concepção de um livro, que estou lançando agora: Rosário de São Miguel – Defesa Espiritual. A primeira parte do livro é o rosário propriamente dito, que se usa nas orações a São Miguel em várias agremiações espirituais, incluindo a igreja católica. Na segunda, faço um estudo inspirado, considerando a hierarquia dos coros angelicais, por onde transita o discípulo rumo à sua evolução como espírito.

Maurício Pássaro passaromau@bol.com.br
http://www.gramma.com.br/produto/rosario-de-sao-miguel-defesa-espiritual/





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