segunda-feira, 28 de julho de 2014

Planeta dos Humanos; cada macaco no seu galho

Maurício Pássaro | Crônica - Assistindo ao filme - Planeta dos Macacos, o confronto - não podemos deixar de perceber nele uma visível metáfora para esses tempos em que vivemos, de conflitos, confrontos. Especialmente para se referir à guerra absurda (qual não é?), entre Israel e Palestina.

Ficção e vida real, cada vez mais próximas e inseparáveis. Um vírus escapa do laboratório e se espalha, dizimando grande parte da humanidade. Experiência com símios, quando cientistas buscavam a cura do Alzheimer. Lembra algumas teses antigas acerca da origem da Aids, que teria surgido da relação promíscua (sexual) com macacos em selvas africanas ou da produção proposital, em laboratório, do vírus, para esvaziar um pouco o planeta, que está lotado de gente. Pequena parcela da humanidade sobrevive para contar estória, enquanto os símios se deslocam para a selva. Uma geração de macacos inteligentes afetados pela experiência do laboratório inicia vida coletiva organizada e domina a linguagem com sinais. Alguns já sobressaem emitindo palavras e pequenas frases. O que faz recordar outra curiosa tese - a de que nós, humanos, que viemos deles, em algum tempo remoto, sofremos mutação genética induzida por seres mais evoluídos, alienígenas. Na Bíblia, quando se extrai a costela de Adão e tudo começa. Lembra também os mutantes do X-men, mas esta é outra estória.

O conflito, no filme, se inicia quando a equipe de humanos, em busca de uma fonte de energia, descobre que há uma represa geradora desativada, bem no território dos macacos. No momento em que seguiam por uma trilha, eis que inesperadamente surge um desses moradores, que se ressente com a invasão dos humanos e rosna, mostrando os dentes. Quando, então, vem o tiro, literal, de largada, dando início à guerra: um dos componentes da equipe, assustado, atira no macaco, ferindo-o.

Diálogos entre os humanos como "são só macacos" fazem lembrar que o vizinho, no Oriente Médio, "é só um inimigo", "é só um ser inferior". Se o atirador daquela equipe controlasse o seu instinto (animal), segurando o ímpeto, perceberia que era possível dialogar, que se tratava de uma espécie evoluída, embora fosse diferente, inusitada. O diálogo com a alteridade (o outro) é o princípio básico da mantença da paz, em qualquer situação, seja entre povos, torcidas de futebol, manifestantes e polícia ou entre simples casais. Não há outro possível. Sem dialogar, a linguagem acaba sempre em bombas genocidas, literais ou simbólicas, o efeito é sempre nocivo e devastador. E basta um pequeno movimento, um tiro, para começar uma ferida muito difícil de se curar depois, quando aquela única morte se transformar em milhões, nos dois lados da guerra, ficando realmente difícil para se decidir quem é o culpado.

O filme poderia fazer evidenciar a velha e podre chaga da essência do homo sapiens, como na maioria das ficções visceralmente mais realistas, apontando o erro de um só lado - os humanos, como bandidos, e os macacos, vítimas-heróis. Mas, para mostrar que há o positivo e o negativo nos dois lados, e em todos nós, o personagem Koba, dos macacos, surge como aquele que deseja erradicar a humanidade, de vez, enquanto está enfraquecida, sem energia (a busca pela represa faz lembrar o interesse pelo petróleo, no Oriente). Koba sofrera nos laboratórios, antes da catástrofe da epidemia. Ele só teve contato com o lado ruim dos homens, enquanto César, o líder, conseguiu conhecer também o lado bom e permanece no filme tentando um acordo de convivência pacífica, de não-agressão. Um de seus recados iniciais à colônia humana sobrevivente poderia ser resumido num ditado bem conhecido: cada macaco no seu galho; macacos aqui, humanos lá. Um confronto de grandes proporções acaba se iniciando pela intolerância de uma minoria, o membro da equipe humana e Koba, que compromete todo o resto da coletividade. Não podemos confundir afirmando que a nossa guerra, na vida real, dá-se entre judeus e palestinos. O confronto no Oriente é fomentado por minorias de ambos os lados, líderes ultradireitistas e facções terroristas, onde tudo é um mesmo e só terror. E claro, fomentado pela rentável indústria que fabrica e vende armas e bombas.

A questão no Oriente é mais complexa que o filme, além de ser muito antiga. Numa passagem bíblica, Jesus passa pela região da Samaria e descansa ao lado de um poço d'água, onde pede a uma samaritana que lhe dê água. Ele é reconhecido por ela como o Messias há muito esperado. Jesus lhe promete a água da vida, uma água que mata a sede do espírito. Entretanto, a samaritana adverte que os "samaritanos não se dão com os judeus" e que "o local de adoração a Deus deve ser em Jerusalém". Jesus responde que um tempo acabara de chegar: o de adorar a Deus em espírito. Ou seja, não importa o monte, a religião, a cidade, o país. O local é o espírito; dentro, não fora. Nessa linha de pensamento - com mais de dois mil anos de idade - judeus e palestinos poderiam viver em paz como bons vizinhos, adorando a Deus em espírito, que é o verdadeiro locus do sagrado. Deus, Javé e Alá são um só, três pessoas divinas que num só se encerram.

PAGANDO MICO

A diplomacia brasileira foi comparada a um anão, depois que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu nota dizendo que considera o uso da força israelense desproporcional, para não dizer injusta, sobre a Palestina. Ao que revidou o Ministério do Exterior de Israel: "desproporcional é o 7 x 1 da Alemanha". Quer dizer, além de pagarmos mico internacional, temos que ouvir essa. E olha que o recado não vem da Argentina!

Mas, há uma explicação para o mico. Trata-se da velha estratégia lulopetista de fazer bonito lá fora para tirar onda aqui dentro e ganhar simpatia e votos. Lembra quando Lula falou que o Brasil "falava fino com os pequenos e grosso com os grandes?" É isso, uma bravata internacional. Tentativa de mostrar nobreza na piedade com os pequenos e coragem diante dos grandes. Mas, a coragem verdadeira tem de ser atuada aqui, dentro do país, diante dos problemas internos, que são realmente grandes. Muito além do futebol. Diante desses problemas, o governo é um anão.

Puro marketing. Puro mico.

mauriciopassaro.blogspot.com.br





1 comentários:

Anônimo disse...

Para que a crueldade contra crianças, mulheres, velhos e inocentes triunfe basta que todos se calem. Os palestinos de hoje são os judeus de ontem nos guetos de Varsóvia. Os brasileiros deram vidas lutando contra os nazistas na segunda guerra mundial. Nossa nação não é indiferente aos horrores das guerras. Os brasileiros apoiaram a criação do Estado de Israel mas repudiam o massacre na palestina.

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