quarta-feira, 8 de outubro de 2014

BOLSA, BOLSO & BOLSÕES, administrando e alimentando a miséria

Maurício Pássaro - Brasileiro tem memória curta, mas é preciso lembrar: o programa Bolsa Família (BF) iniciou-se com o Bolsa Escola, ideia e ação do governo FHC. O programa é tecnicamente chamado de mecanismo condicional de transferência de renda. Mas, o que significa “condicional?”

Há pelo menos duas condições para a família receber a bolsa: 1. Estar na linha da pobreza ou pobreza extrema; 2. Crianças e jovens têm que frequentar a escola.

A pergunta que não quer calar: quem fiscaliza o cumprimento de tais condições (esperemos que não seja o IBGE...)? Será que os cinquenta milhões que se enquadram estão mesmo na miséria? Será que os jovens estão frequentando a escola? E será que há escolas para serem frequentadas?

O mapa da distribuição do BF coincide com o mapa da votação expressiva de Dilma, no Nordeste. Coincidência? Ó xente...!

O menor valor de um BF chega a 32 reais. O que significa isso, na prática? Como e quando um beneficiário que recebe tal valor poderá “superar” a necessidade? Ou a miséria não é para ser superada, mas apenas mantida e administrada para render votos?

É claro que o BF será usado para a captação de votos. O exemplo do senador Lobão Filho, candidato pelo PMDB, pelo Maranhão, que perguntou em um comício, na terrinha – “Quem de vocês gosta do Bolsa Família levanta a mão!” – é apenas uma dentre numerosas variantes de curral eleitoral. Em seguida, no discurso, Lobão Filho alerta para o perigo de “Aécio Neves retirar o BF de todos”. Por que o senador não pergunta simplesmente, nos comícios: “Quem de vocês sonha com um emprego?”

Coisa bem triste usar a miséria alheia para manobras em busca de fidelidade na votação. Claro que não é bom que haja brasileiros famintos, mas estariam famintos se estivessem trabalhando? E estariam trabalhando, se a economia não estivesse recessiva, como está hoje, retornando aos dígitos de 1988.

Têm aparecido fakes em redes sociais tentando identificar o eleitor de Aécio com o preconceito e até o nazismo, com chamadas de menosprezo aos nordestinos. É claro que os militantes virtuais do adversário estão em ação. Aécio pode ser tudo, menos alguém disposto a dar um tiro no pé, tendo ótimas condições de vencer as eleições.

Há no cenário um partido especialista em aterrorizar, difamar e manipular. Com militantes que adoram passear pelo Wikipedia e mexer em biografias alheias. Não será preciso nem citar o seu nome, ele virá automaticamente a seu pensamento, mesmo que você seja eleitor dele. Viu? É que a verdade aparece antes das manobras mentais no seu monitor da consciência. Reconhecê-la, ou não, é outra estória. Depende da honestidade, artigo raro hoje em dia.

Essa polarização é negativa e prejudicial ao país. O Nordeste é bastante querido pelo Brasil, e não será meia-dúzia de aloprados que vai conseguir botar um brasileiro contra o outro. Ademais, a condição do “pires na mão”, da dependência, da tutela estatal, do Estado-Babá, da mendicância oficial em que vive grande parte da população é algo humilhante, aviltante, compromete qualquer sentimento de estima.

Mesmo Aécio, ao dizer que continuará com o programa, precisará um dia dar um basta nesse estado “emergencial” e promover a real inserção no mercado de trabalho, nos bolsões de miséria espalhados pelo Brasil, que hoje estão nas mãos do assistencialismo toma-lá-dá-cá. Afinal, o “emergencial” dura quanto tempo? Quantos mandatos?

O trabalho, o emprego disciplinado e formal, é o que dignificará o brasileiro. Não a esmola mensal, fruto de um programa sem controle e fiscalização, e sem transparência, que garroteia nesses bolsões invadidos por novos coronéis.





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