terça-feira, 7 de outubro de 2014

PARTIDÁRIOS DE JUDAS & a necessidade do voto útil

Maurício Pássaro | Editorial - NÃO ME ILUDO. Votar para Presidente é importante, mas não será com isso que uma sociedade se transformará. A mudança necessária e urgente tem que ser na consciência de cada um, diária, contínua, com vistas a médio e longo prazo.

A verdadeira revolução não se dá no âmbito político, mas no cultural. Só erradicaremos a corrupção do nosso meio se erradicarmos primeiramente a cultura da corrupção, que vai da cervejinha para o guarda de trânsito até a gorjetinha para os deputados do Mensalão.

Crucificar os mensaleiros é muito prático, julgá-los foi necessário, mas a corrupção continuará entre nós como uma hydra: você corta uma cabeça e nascem duas. Corta as duas, nascem quatro. Apenas mudando-se o hábito, os costumes, a cultura de uma população – só assim daremos jeito nisso.

Eleger presidente é mais fácil do que refazer uma dada cultura, que levou anos, séculos, formando-se em camadas, em experiências assimiladas: território de estudo para antropólogos, sociólogos e demais estudiosos. A reconstrução de uma cultura leva tempo, faz-se em longo prazo.

MAS, EM CURTO PRAZO, A SOLUÇÃO É O VOTO. Eu tinha decidido a não votar mais, em ninguém, mas me convenci a dar um voto útil. AÉCIO e o PSDB não são propriamente um dream team da política nacional, mas entendo que a missão agora é impedir o continuísmo, a política do aparelhamento do Estado, que emperra a qualidade técnica do quadro funcional. Se AÉCIO, eleito, não cortar o número de ministérios pela metade, só para começar, já vai entrar para a minha lista negra implacável.

PT e PSDB, ambos são pecadores. Mas, o PT caiu por um pecado maior, imperdoável, quando perdeu a virgindade moral e ética. PSDB, de centro-esquerda, é considerado partido de direita pelo petismo, apesar de Collor, Sarney e Maluf estarem apoiando Dilma. Enquanto oposição, a cartilha do PT rezava que onde estivesse a “direita” ali estaria a corrupção, a incompetência, tudo de ruim. Para quem é novo e não conhece bem a história, PT já foi conhecido como “o partido da ética e da moral”. Enquanto, pilantras (bois de piranha) da situação eram pegos, o petista brilhava em sua aura impoluta e imaculada, nesse passado glorioso em que foi oposição, quando berrava “FORA COLLOR!”, “FORA SARNEY!”, “FORA MALUF!”. Tentou barrar o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, brigou contra as Reforma da Previdência e da Administração. Mas, isso foi no passado, antes de chegar ao poder, quando mostrou a sua cara. É bom que todos – PT, PSDB, etc. – cheguem algum dia ao poder, para que possamos ver a sua verdadeira cara. Na oposição, nos enganamos fácil com o canto do cisne.

Quando fechou as parcerias “heterodoxas”, era o sinal de que não seria mais o grande partido da ética. Sempre xingou o PMDB de fisiologista, mas hoje é seu consorte inseparável. Sempre denunciou Brizola de oportunista, demagogo e populista, mas agora derrama uma chuva de bolsa-família pelo Nordeste, onde acaba de obter, no primeiro turno, grande votação. Aí está o Lindbergh, o cara-pintada que surgiu na política gritando FORA COLLOR! e chegou ao Senado em abraços e risos com o novo amigo, antigo caçador de marajás, deposto por um impeachment da presidência e hoje eleito senador, com votação expressiva em Alagoas. Lindinho tentou o governo do estado do Rio prometendo que faria, se eleito, os “CIEPs do século XXI”.

Quando a corrupção aparecia nos demais partidos, não causava espanto, era apenas o mais do mesmo, uma constatação em cima do esperado. Mas, quando começaram a morrer testemunhas do assassinato de Celso Daniel, prefeito petista de Santo André, e a pipocar escândalos constantes que culminaram no Mensalão e no Petrolão, houve a consolidação do espanto e uma grande decepção nacional.

PT era uma esperança contra a mesmice dos antigos partidos. Mas, sua reputação ilibada virou farinha e pertence agora ao mesmo saco que abriga as outras agremiações políticas outrora criticadas.

O partido de Dilma tem de ser mais cobrado que os outros, claro, por esses motivos. Ao PT foi dada a aura da ética e da moral, no Brasil isso é muito – e a quem muito é dado muito será pedido. Seu pecado não foi somente o de reproduzir o que fizeram ou fazem os outros. Foi o de principalmente trair seus princípios. Foi o de trair grande parte do seu eleitorado. Ponha na conta do PT esse aumento de descrença na política. Ele detonou um restinho de esperança que havia de reverter o quadro negativo da classe política, da instituição “política”.

Esse povo traído quer agora dar uma resposta.

Os votos de quem se beneficiou com o PT nesses doze anos ou ganhou emprego na administração ou bolsas assistencialistas não são suficientes para reeleger Dilma. Mesmo juntando os votos dos supostos beneficiados com os 30 milhões de “novos” empregos, ainda assim, formam uma minoria.

A questão desse segundo turno é muito simples: se você fizer parte dessa minoria, vote em Dilma. Se não fizer, vote em Aécio.





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