quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Porto de Jaconé: Povo de Maricá pode estar sendo enganado

Reportagem: Marcelo Bessa

Estudos elaborados por um grupo de moradores e profissionais liberais, incluindo engenheiros e técnicos, preocupados com a questão do porto a ser construído em Jaconé, no município de Maricá, revelam que, além do petróleo e gás, serão implantadas algumas indústrias altamente poluidoras que não têm nada haver com o pré-sal.

De acordo com a pesquisa, a DTA e o prefeito de Maricá, Sr. Washington Quaquá, têm feito grande propaganda sobre o projeto do porto com informações inverídicas e outras ocultas, entre as quais aspectos técnicos importantes que mostram problemas ambientais, jurídicos e financeiros.

Ainda em seu primeiro mandato, Quaquá decretou uma lei alterando o PLANO DIRETOR, que classificava boa parte de Jaconé como Reserva Florestal de Mata Atlântica - protegida por leis federais -, cedendo grande área pública à empresa DTA Engenharia, supostamente ligada a outros grupos estrangeiros.

Segundo os pesquisadores, "eles estão omitindo o que realmente querem fazer nessa área e que poderá implicar em sérios impactos ambientais e também à saúde pública. Ao que parece, a conduta da DTA tem sido antiprofissional, encobrindo informações importantes, como por exemplo o fato de que o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) aborda somente tópicos relativos à infraestrutura do porto, ou seja: quebra-mar, aterros, pavimentação, prédio da administração etc. O relatório não menciona nada sobre os impactos das atividades que seriam executadas. Apenas relata que o projeto estará aberto a empreendimentos, mas não cita quais seriam".

Diversas maquetes do porto foram veiculadas na internet, porém uma delas em especial, divulgada no site oficial do Estado do Rio de Janeiro chamou a atenção do grupo, pois nela é possível detectar uma parte da área em questão destinada a uma USINA DE PELOTIZAÇÃO DE MINÉRIO DE FERRO. De acordo com dados e outras informações, tal usina é uma indústria muito poluidora, similar à mesma construída no Porto de Tubarão, em Vitória, no Espírito Santo, e que tem causado problemas socioambientais gravíssimos. Segundo informações da Assembléia Legislativa do Espírito Santo,"São milhares de internações e centenas de casos de câncer".

A área nº4, do mapa, é destinada à usina de pelotização


Diante desse quadro, tudo indica que tanto o prefeito quanto a DTA estão procedendo de forma irresponsável, pois supostamente sabem que não é coisa adequada a ser divulgada à população mas tentam enganar a sociedade e ao mesmo tempo “atropelar” as leis, além de agirem criminosamente contra a vida de muitas pessoas, que poderão ser contaminadas com substâncias nocivas, bem como a flora e a fauna.

Aonde está a verdade?

A escolha de Jaconé para local de construção de porto não se baseou apenas na proximidade do COMPERJ, mas principalmente no barateamento dos custos de um empreendimento privado que tem supostas pretensões alheias ao pré-sal. Apenas vêem nisso uma facilidade com doação de terras. Daí a grande extensão de áreas, tomadas da Mata Atlântica, para dedicar a outras atividades que vão gerar muita poluição. Se fosse só um porto para o pré-sal, já seria mais do que o suficiente em transtornos ambientais. A DTA, responsável pelo empreendimento, diz que ela é uma firma ambiental, mas na verdade...

"Esse mesmo estilo de porto já tentaram implantar na Bahia, mas foram banidos de lá. Provavelmente são testas-de-ferro de alguém que  ainda vai aparecer mais na frente...", vaticina um dos pesquisadores que, por enquanto, prefere ficar anônimo.

"Observem que essa "DTA" com o prefeito, já estão formando uma opinião pública: dizem que é Porto do Pré-Sal; que é da Petrobras, que vai gerar 13 mil empregos e que o empreendimento já é uma realidade, que há bilhões de reais, que não precisam do BNDES, que já está tudo aprovado, etc. Isso tudo é um engodo – mas é o que muitos estão acreditando (eu mesmo pensava que era assim, tudo já estaria aprovado e encaminhado, até começar a examinar melhor). O governo do estado através da secretaria de Meio Ambiente e o prefeito de Maricá estão atropelando tudo, mesmo em discordância com as leis", concluiu.

O suposto interesse no negócio seria atender principalmente a interesses estrangeiros tais como a exportação de matéria prima semi-beneficiada que são as "pelotas de ferro" e petróleo cru, facilitando às industrias internacionais a importação de produtos estrangeiros pelo aporte de navios de 'containers', que não têm relação com o pré-sal.

"A vocação do local como área de proteção ambiental e pólo turístico é incompatível com as indústrias que pretendem implantar em Jaconé. É mentira dizer que irão investir no turismo quando se tem projeto para fazer uma usina de peletização de minério de ferro. Isso não seria possível", opina um morador local, integrante do grupo.

Ainda segundo os técnicos e pesquisadores, o empreendimento como um todo poderá transformar Jaconé numa "Nova Cubatão", com contaminação dos solos, dos pescados, da reserva florestal e suas biodiversidades e, o que é pior: a contaminação das pessoas, não somente as que trabalharão ou moram em Jaconé, mas também em todo o município de Maricá e Saquarema.

Poluição ainda afeta o Porto de Tubarão, em Vitória

Banhistas convivem com a fumaça poluidora de Tubarão
De acordo com a matéria veiculada pelo jornalista Helcio Zolini da Agência Folha, o porto de Tubarão é considerado um dos mais modernos e eficientes do mundo. E mesmo assim não se consegue evitar a poluição com eficácia. A Companhia Vale do Rio Doce ainda não conseguiu resolver o problema da poluição provocada por suas atividades portuárias junto ao mar de Vitória (ES). A empresa investiu US$ 60 milhões em proteção ambiental nos últimos quatro anos, instalou 700 canhões de aspersão de pó de minério e carvão e plantou seis milhões de árvores em Tubarão. Apesar do esforço, os ventos se encarregam todo dia de levar para o mar a poeira de minério e de outras cargas movimentadas no terminal de Tubarão.

"Não vou dizer que não tem pó, porque tem sim. Estamos tentando controlar a situação, mas andamos na corda bamba. Se molhamos a carga para diminuir a poeira, o cliente reclama devido à água que vai junto com o produto", disse o superintendente do porto, Cândido Cotta Pacheco. O oceanógrafo Júlio César Ruano, técnico de Recursos Naturais da Secretaria para Assuntos de Meio Ambiente do Espírito Santo (Seema), disse que durante 20 anos a Vale lançou efluentes líquidos na baía de Camburi, em Vitória. "De quatro anos para cá, não joga mais, mas o que foi lançado ainda está lá no
mar", afirmou.

O porto de Tubarão é considerado um dos mais modernos e eficientes do mundo, e mesmo assim não se consegue evitar a poluição com eficácia . Oferece um custo baixo -US$ 4/tonelada embarcada, contra US$ 4,85/tonelada do porto de Antuérpia (Bélgica) e US$ 17/tonelada em Sepetiba (RJ). O tempo médio de espera de navios em Tubarão é de dois dias. Em Santos, chega a 15 dias.
Com uma capacidade de movimentação de cargas de 80 milhões de toneladas anuais, Tubarão deve atingir este ano 63,7 milhões de toneladas de minério de ferro. A carga - da própria Vale e de terceiros - escoada anualmente por Tubarão, através de 700 navios, representa 60% do volume de minério de ferro exportado pelo Brasil no ano passado.

O que é Pelotização de Ferro?

Pelotização é um processo onde são fabricadas bolinhas feitas de minério de ferro que serão utilizadas em altos fornos para fabricação de lingotes de aço. São produzidas em grandes quantidades, como as que existem no Porto de Tubarão, em Vitória (ES), cuja maior parte é exportada. O produto final se parece com fezes de cabrito e é altamente poluidor. O material é estocado em grandes pilhas ao ar livre e exala um pó que pode contaminar o meio ambiente através do vento, do solo e da água.






8 comentários:

Anônimo disse...

Onde tem usina de pelotização tem ferrovia para transportar o minério de ferro. Pelo que sei não há ferrovia em Maricá ou em alguma cidade vizinha.

Anônimo disse...

Deixa o progresso chegar nesta fim de mundo gente. Preocupados em perder suas mazelas existentes? Eita povinho do crl

Edna Costa disse...

Tem IDIOTA pra tudo!!! Não é o povo que diz isso, quem afirma que pretende ter escoamento de produção de pelotização é o RIMA documento de licenciamento da própria DTA que NÃO É transportado apenas por ferrovia, mas, também por navios!!! Não deixem de participar da reunião sobre o tema em Saquarema no próximo dia 11 de outubro às 09:30h na Escola Ismênia de Barros Barroso, na Rua 96 nº 1266 (próximo ao posto de combustível da BR), onde os técnicos falarão sobre este tema e muitos outros dos pretendidos e, ao contrário da DTA, abre também espaço para o "empreendedor" se posicionar sobre suas VERDADEIRAS intenções que estão DOCUMENTADAS no INEA que deixou de ser um órgão fiscalizador para ser mero facilitador!!!

Anônimo disse...

Não precisa de ferrovia já que a usina já estará no porto.. dali é só embarcar....

Anônimo disse...

Edna você é bem arrogante. O minério de ferro no Brasil é extraído em Minas Gerais, que não tem mar. Por onde virá o minério para ser beneficiado?

Anônimo disse...

Sinceramente, prefiro que não tenha esse porto. Como se não bastasse a porcaria do petróleo que vão jogar no mar de Itaipuaçu. Esse tal desse porto está me parecendo um elefante branco. Não quero que o mar adoeça e que nos contaminemos com todo esse lixo tóxico que vái ser jogado no mar. O povo maricaense anseia por qualidade de vida e vida saudável. Não queremos e não precisamos de porto, moramos aqui porque o mar é limpo e o ar é puro. Queremos emprego sim, mas não dessa maneira, não mutilando nossos cidadãos.

JOÃO RIBEIRO disse...

NÃO ENTENDO, POR QUE NÃO SE FAZ UMA REUNIÃO COMO A EDNA COSTA FALOU EM MARICÁ, AFINAL O PORTO PRETENDE SER CONSTRUÍDO EM MARICÁ E NÃO EM SAQUAREMA, VAMOS FAZER ESTA REUNIÃO EM MARICÁ, E TIRARMOS O MÁXIMO DE INFORMAÇÕES E NÃO EM SAQUAREMA, EU MORO EM MARICÁ E QUERO SABER O QUE ACONTECE, FICA A DICA.

Anônimo disse...

Na minha opinião este porto em Jaconé é um balão de ensaio da DTA para atrair investidores que não virão. A Petrobrás está praticamente falida pela administração do PT (partido dos trombadinhas) e não tem capital para investir. A Vale, maior exportadora de minério de ferro do Brasil, extrai minério de Itabira-MG, transporta por ferrovia até o porto de Tubarão – ES e exporta para todo o mundo, principalmente para a China. A propósito a tonelada do minério está com preço em queda. A economia do Brasil está com movimento decrescente de seu PIB. Quem vai botar dinheiro em Maricá?

Postar um comentário

ITAIPUAÇU SITE - MÍDIA LIVRE E OFICIAL DE NOTÍCIAS DE MARICÁ - O Itaipuaçu Site reserva o direito de não publicar comentários anônimos ou de conteúdo duvidoso. As opiniões aqui expressas não refletem necessariamente a nossa opinião.