quarta-feira, 12 de agosto de 2015

"Lava Jato" em Maricá: realidade ou ficção?

Ao montar sua máquina administrativa no início de seu governo, em 2009, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, convocou duas pessoas de fora: Marcelo Sereno, ex-assessor de José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil no governo Lula, condenado no Mensalão e recentemente preso na Operação Lava Jato) e Maria Helena Alves Oliveira, indicação do próprio Dirceu nas prefeituras de Nova Iguaçu e Manaus. 
Dirceu e Marcelo Sereno
Em 2010, Sereno assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo de Maricá no lugar de Aleksander Santos, político local que, por sinal, enquanto esteve no cargo, também se aproximou de Dirceu, passando a usar essa relação como cartão de visita nos contatos que fazia. Sereno se afastou em abril, para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores do Rio, mas seus tentáculos na política maricaense continuaram firmes. Maria Helena, por sua vez, assumiu a secretária executiva e de Administração.
Zeidan, Lurian e Quaquá
Até Lurian, a filha do ex-presidente Lula, na época funcionária da prefeitura de São José dos Campos, no interior de São Paulo, prestigiou Maricá: esteve hospedada na casa do próprio Quaquá durante o Carnaval e, três meses depois, foi agraciada com o título de cidadã maricaense. Em abril de 2014, ela conseguiu novo emprego na prefeitura de Maricá. Foi nomeada para trabalhar na revista 'Maricá Já', empresa de comunicação e eventos de propriedade de Quaquá e sua mulher, Rosângela Zeidan. 
Naquela época na cidade todo mundo sabia: Sereno e Maria Helena eram os apadrinhados de Dirceu, muito mais do que o próprio Quaquá. Eram eles quem realmente davam as cartas. Até hoje, várias pessoas relatam ter ouvido de Sereno, por mais de uma vez: “Quem manda lá é a gente”. 
Maria Helena
Boa parte dos contratos sob investigação da Justiça levava a assinatura da secretária Maria Helena. Um deles tratava dos gastos com locação de veículos - o processo apontava problemas em contratos que somavam 18 milhões de reais. Um terço dessa quantia destinou-se à Lumar Locadora de Transportes Ltda., que tinha sede no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, a 100 quilômetros de Maricá. No endereço funcionava uma pequena loja de material de construção. Quem respondia pela Lumar era Rosana Francisco de Moura Correia, que por breve período foi gerente da Subsecretaria Executiva de Projetos Especiais de Maricá. Somente depois que a maracutaia foi descoberta, a prefeitura disse que cancelou o negócio.
Dois outros contratos suspeitos pairavam sobre uma única estrada no distrito de Itaipuaçu. Um deles ainda é alvo de um processo no qual a Promotoria de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania pede a devolução de 11 milhões aos cofres públicos. No outro contrato, a gastança foi maior: 23 milhões de reais. Quem trafegava pela estrada via que a obra não passava de maquiagem, e muito malfeita: trechos asfaltados há pouco mais de um mês já apresentavam buracos e não se via indício dos prometidos corredores de escoamento de chuvas, das calçadas e pontos de ônibus que constavam no projeto. Aliás, não se vê até hoje.
Na área da educação, o alvo de vários inquéritos por improbidade foi o gasto com a construção de escolas, em valores sempre próximos de 1 milhão de reais. O projeto da Escola Carlos Magno Legentil de Mattos, por exemplo, no centro da cidade, previa que as seis salas e uma quadra poliesportiva custassem 930 mil reais - o dobro, no mínimo, do orçamento para uma obra desse porte.  Enquanto Quaquá e sua administração se enrolavam nas contas públicas, Maricá, a suposta beneficiária dos milhões em royalties, continuava a ter serviços públicos abaixo da crítica: 80% das casas sem água encanada (até hoje) e o terceiro pior município do estado na área da saúde. Era comum que moradores caminhassem 6 quilômetros até um posto médico e não fossem atendidos.

O dinheiro do petróleo deveria ser, mas não foi, garantia de progresso. Pelos cálculos mais otimistas, as reservas do pré-sal deveriam alcançar 100 bilhões de barris, que, ao preço da época, chegariam a 600 bilhões de reais em royalties. No estado do Rio, 87 dos 92 municípios já recebiam esses royalties, e em volume cada vez maior: foram 2 bilhões de reais em todo o ano de 2010 - e 1,2 bilhão só no primeiro trimestre de 2011. Mesmo assim, e apenas para ficar em dois exemplos, Guapimirim (50.000 habitantes, 20 milhões de reais em royalties no primeiro trimestre) e Rio das Ostras (105.000 habitantes e quase 80 milhões de reais) amargavam, respectivamente, a última colocação e o oitavo pior lugar no indicador de qualidade do Sistema Único de Saúde do estado - um retrato irretocável do atraso. Para onde foram tantos milhões? Com certeza não foram para melhorar a vida dos cidadãos de Maricá.
Quaquá e Sereno. "Quem manda lá é
a gente" (Marcelo Sereno)
Hoje, José Dirceu encontra-se preso em razão das investigações da Operação Lava Jato. E, durante um evento do PT em Salvador (BA), recentemente, Quaquá disse que as investigações da Lava Jato  estão sendo direcionadas e criticou a atuação do juiz Sérgio Moro, declarando: "Não há dúvidas que há interesse político na atuação de Moro. Vejo um ânimo de promotor no juiz da Lava Jato". 
José Dirceu esteve em Maricá pelo menos duas vezes desde a posse do prefeito petista Washington Quaquá, em 2009. Milhões saíram dos cofres da prefeitura mas a cidade pouco tem se beneficiado deles. Nos primeiros quatro anos de governo (2009/2012), Quaquá e sua turma passaram a ser alvos de 21 processos e cinquenta inquéritos. No rol de abusos, o beabá da cartilha da corrupção: improbidade administrativa, danos ao Erário, prevaricação, peculato, abuso de poder econômico, superfaturamento, contratação de empresas-fantasma - maracutaias que podem ter feito evaporar do caixa oficial cerca de 150 milhões de reais.  
Com informações de Leslie Leitão / Veja
Edição: Marcelo Bessa / Itaipuaçu Site






1 comentários:

Anônimo disse...

O MPRJ, A POLICIA FEDERAL, ETC ESTÃO SABENDO DISSO? ESSA É A QUADRILHA DO PT, O PARTIDO DOS CORRUPTOS. CADEIA NELES!!!

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