Falta de médicos, descaso e superlotação provocam confusão no Centro Diagnóstico de Maricá

MARCELO BESSA :: REPORTAGEM - Tumulto, estresse e muita reclamação na manhã desta quinta-feira (24) em Maricá, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Quem precisou marcar consulta no Centro Diagnóstico da cidade teve que enfrentar uma grande fila. Centenas de pessoas, entre os quais muitos idosos, ficaram em pé no sol por mais de quatro horas esperando atendimento para marcar uma futura consulta que só deve acontecer dentro de, no mínimo, três meses.

Do lado de fora da unidade, a fila de pacientes dobrava o quarteirão. Eliane de Souza, de 71 anos, chegou às 6 horas e enfrentou todo o tumulto para ser atendida. Revoltada, a idosa desabafou a insatisfação com a saúde pública no município. Ela estava transtornada e inconformada com o já habitual descaso do poder público municipal.

__ Eu enfrento isso daqui há dois meses. Cheguei aqui às seis da manhã e agora são dez horas e eu to aqui passando mal debaixo desse sol . Não é possível que isso esteja acontecendo, é muito descaso. Na verdade chega a ser até desumano!__ disse a dona de casa.

Sandra Mesquita, de 54 anos, é deficiente visual e já estava na fila há quatro horas. Ela também ficou revoltada.

Fila enorme causa estresse e tumulto na porta da unidade
(Foto: Rafaela Rotter)
__ Sou deficiente visual, tenho diabetes e problema de coluna. To aqui desde cedo em pé pegando
esse sol quente, com sede e fome, pois não comi nada até agora. Isso é desumano. Um descaso com a população. Nem preciso enxergar para perceber como isso daqui tá tumultuado. Tá um caos! É uma vergonha muito grande saber que aqui em Maricá existe esse tipo de coisa __ desabafou a aposentada.

Uma outra mulher, que preferiu não se identificar, saiu de dentro do posto revoltada e xingando o prefeito da cidade, Washington Quaquá (PT), aos berros. Segundo ela, depois de tantas horas na fila para marcar consulta médica para o seu filho que sofre com problemas neurológicos, foi informada de que o município está sem neuropediatra. A situação piorou ainda mais quando, por volta das 10h30, um funcionário apareceu na rua e disse que o sistema havia caído e que a ordem era para que todos fossem embora e voltassem num outro dia.

Procurada, a prefeitura não quis se pronunciar sobre o caso.





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