segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Os perigos causados pelo cemitério de Maricá e seus impactos ambientais

Após a reportagem da Band publicada na última sexta-feira sobre o estado de abandono do cemitério de Maricá (veja a reportagem aqui), trazemos aos nossos leitores um artigo, enviado à nossa redação por Carla Eupídia dos Santos, membro do Conselho Municipal de Saúde de Maricá e atual presidente do Conselho Comunitário de Segurança, abordando o perigo que tal situação pode causar ao meio ambiente e à saúde da população. Confira, a seguir:

Quase todos os cemitérios públicos podem apresentar problemas hidrogeo-ambientais, ou seja, contaminação das águas subterrâneas (lençóis freáticos) pelo necro-chorume, líquido eliminado pelos corpos no primeiro ano do sepultamento.O sinal de alerta tem sido dado pelo geólogo paulista Leziro Marques Silva, que pesquisa o assunto desde 1970. 

Para sua pesquisa o professor percorreu 600 cemitérios municipais e particulares em todo o Brasil, encontrando um quadro no mínimo preocupante: “Em cerca de 75% dos cemitérios públicos há problemas de contaminação e, nos particulares, o índice é de 25%”, afirma, complementando que não registrou qualquer preocupação das autoridades com essa questão.

Segundo o pesquisador, o cadáver de um adulto, pesando em média 70 quilos, produz cerca de 30 litros de necro-chorume em seu processo de decomposição. Esse líquido é composto por 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas, entre as quais algumas bastante tóxicas, como a putrescina e a cadaverina: um meio ideias para a proliferação de substâncias responsáveis pela transmissão de doenças infecto-contagiosas, entre elas a hepatite e a poliomielite.

Em razão dessas características peculiares, esses micro-organismos podem proliferar num raio superior a 400 metros do cemitério. Leziro Silva explica que o necro-chorume é facilmente absorvido pela água e, por isso, a contaminação é problemática, principalmente, nos locais onde o abastecimento se dá por poços ou cisternas: “Além da contaminação, a má localização dos cemitérios é outro fator de dificuldade, pois o estado inalterado de alguns corpos – a exemplo da ocorrência de fenômenos como a saponificação (o corpo não se decompõe), nos locais onde o terreno é úmido, e a mumificação, em locais de solo arenoso – obrigam à expansão da área o que ganha contorno dramático nas grandes cidades."

O Processo de Decomposição

Verificado o óbito, o cadáver, após sepultado, passa por processos de transformação que podem ser destrutivos ou conservativos. Enrtre os processos destrutivos, o mais importante é a putrefação.
O processo de putrefação engloba quatro fases:
Fase da Coloração (ou cromática), Fase gasosa, Fase coliquativa (ou Humorosa) e Fase de esqueletização.

As mais importantes para a contaminação das águas são as fases gasosa e humorosa. A fase de coloração, em geral inicia-se entre 18 e 24 horas após o óbito, com a manifestação das bactérias intestinais (enterobactérias), do tipo saprófitas, em meio anaeróbico. Apresenta-se por meio de uma mancha esverdeada na pele da fossa ilíaca direita (mancha verde abdominal) cuja cor é devida a presença de sulfo-meta-hemoglobina, resultado da reação do gás sulfídrico com a hemoglobina. A duração desta fase é de 7 a 12 dias, dependendo das condições climáticas.

Na fase gasosa, que se incia sete a doze dias após o sepultamento pode se estender por até seis a oito meses, os gases originados na cavidade abdominal começam a se difundir por todo o corpo, originando a formação de bolhas inicialmente na pele e depois avolumando o corpo, que fica com aspecto de gigantismo. A forte pressão dos gases provoca o arrebentamento do corpo, ocorrendo posteriormente a produção do líquido humoroso, também conhecido por necro-chorume, que é facilmente detectável pelo odor intenso, nauseoso e insuportável.

A terceira fase, a humorosa, inicia-se logo após a fase gasosa e pode se estender até dois ou três anos É caracterizada pelo amolecimento e desintegração dos tecidos, que dá formação de um líquido denso e escuro, o necro-chorume. As partes moles tem seu volume reduzido devido a desintegração dos tecidos. Os gases se exalam, ficando o corpo reduzido a uma massa de odor fétido, que perde pouco a pouco a sua forma. Nesse período além dos micro-organismos putrefativos, há grande participação de larvas de insetos, que concorrem para a destruição do cadáver.

Na ultima fase do processo de putrefação, a fase de esqueletização, após dois anos emeio a três anos de sepultamento, o esqueleto é desmontado, reduzindo a massa cadavérica a 18 ou 20 quilos.
Os cabelos e os ossos resistem por muitos anos. Os ossos,contudo, devido a perda de osseína, tornam-se gradativamente friáveis, frágeis, quebradiços e mais leves. Esse período pode perdurar por vários anos, dependendo das condições do meio.

O Necro-chorume

O Necro-chorume é um líquido liberado intermitentemente pelos cadáveres em putrefação, em quantidades equivalentes a 0,6 l/kg (30 a 40 litros se o cadáver possui 70 quilos). Esse líquido, mais viscoso que a água, mas nela bastante solúvel, tem cor acinzentada e acastanhada, cheiro acre e fétido densidade média de 1,23 g/cm3 e ph variando de 5 a 9 em temperatura de 23 a 28 C. Ele é constituído por 60% de água, 30% de sais minerais, e 10% de substancias orgânicas degradáveis, e entre as quais duas diaminas muito tóxicas: a putrescina (1,4 Butano diamina) e a cadaverina (1,5 Pentano diamina), para as quais ainda não se dispõem de antídotos eficientes.

O Necro-chorume apresenta toxidade elevada em decorrência da presença não só dos venenos orgânicos complexos, mas também de agentes patogênicos (bactérias e vírus). Entretanto, a influencia do necro-chorume sobre a água depende, especialmente, se o tipo de solo e de terreno permitem o seu acúmulo.

O necro-chorume pode contaminar o solo e a água. Os Patógenos, em sua grande maioria, tem aversão natural ao oxigênio presente na zona insaturado do solo, porém a água subterrânea presente na zona saturada é pobre em oxigênio dissolvido, o que favorece a sobrevivência dos mesmos. Os micro-organismos provenientes da decomposição podem, consequentemente, contaminar o lençol freático e mesmo os aquíferos confinados. O tempo de sobrevivência das bactérias e vírus varia muito, em geral, é de dois a três meses, mas pode atingir cinco anos em condições ideais.

Normalmente, a ingestão, a inalação ou qualquer contato direto com as substancias tóxicas ou patógenas do necro-chorume atingem os seres humanos principalmente do trato digestivo, do fígado, dos pulmões ou da epiderme. As bactérias do gênero Clostridium, tipo esporuladas anaeróbicas, por exemplo, não oferecem riscos ao serem ingeridas, entretanto são capazes de provocar doenças quando penetram no organismo através da pele.

As principais doenças, veiculação hídrica, são: gastroenterite, amebíase, diarreia e febre, leptospirose, febre tifoide, febre intestinal, cólera, infecções respiratórias, meningite, doenças respiratórias, erupções cutâneas, hepatite e outras. O necro-chorume pode causar essas e outras enfermidades, algumas que podem levar a morte, bem como provocar epidemias.

Apesar de muitos organismos serem suscetíveis a transmissão de doenças pela água, os indicadores de contaminação usualmente utilizados são os coliformes, principalmente do grupo dos coliformes fecais ou termotolerantes, e os estreptococos. Os coliformes fecais possuem um tempo muito curto de sobrevivència, tanto no solo como nas águas subterrâneas. Os estreptococos fecais podem sobreviver por mais tempo em águas subterrâneas, mantidas naturalmente a temperaturas baixas.

A geração do necro-chorume se dá principalmente no período humoroso, e, ainda, gasosa do fenômeno putrefativo. Essas são as fases, portanto, que oferecem mais risco de contaminação.

Impactos dos Cemitérios

Os cemitérios provocam impactos amgientais, psicológicos, urbanísticos e sócio-ambientais. O impacto ambiental dos cemitérios refere-se, em geral, a contaminação dos solos e, especialmente, da água, pelo necro-chorume.

Não obstante, existem outras questões ambientasi relevantes, como a disposição dos resíduos sólidos advindos das visitas pelos amigos e familiares aos cemitérios, a poluição muitas vezes visual causada pela negligencia aos túmulos e também pelos resíduos de construção muitas vezes abandonados nas proximidades da sepultura. Ainda, inclui-se como problema ambiental, o manejo inadequado das espécies zoológicas constantemente presentes em cemitérios, como as formigas e, em vários lugares, os tatus, que violam túmulos para se alimentarem de restos mortais humanos. Esses animais podem, consequentemente, servir como vetores de doenças, uma vez que ha o contato direto entre eles, os cadáveres e a população vizinha.

Autor: Leziro Marques da Silva | Fonte: http://br.share.geocities.com/cemite/impactos.htm
Trechos da Dissertaçao de Walmor Gonçalves Nascimento: "Investigação geofísica ambiental e forence nos cemitérios do Bengui e do Tapanã (Belém - PA)"

2 comentários:

Anônimo disse...

Esse prefeito é um irresponsável, já não tinha mais a quem sacanear e bagunçou com os mortos, misturou as ossadas do Odenir com tutuca, Jorge Silva com wilson Mendes e ninguém sabe mais quem é quem. Graças a Deus Luciano ainda tá lá fresquinho e espero que ele e sua mulher façam despachos em cima do túmulo dele, se fizer vou mijar em cima para desmanchar e jogo tudo na porta do pai dele.Esse cara é maluco!

Anônimo disse...

Se não tem consideração nem pelos vivos, vai ter pelos mortos ?....

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