Audiência pública sobre emissário do esgoto de Maricá acontece nesta quarta-feira

Reportagem :: Marcelo Bessa

Uma audiência pública que terá como tema a implantação do 'Emissário Terrestre e Submarino para Transporte de Efluentes Domésticos', será realizada na noite desta quarta-feira (02) na casa de festas Palladon, no bairro do Flamengo, em Maricá.

Foto: Reprodução / Divulgação
Na realidade, o tema, para fácil entendimento da sociedade, trata-se do esgoto dos bairros do Centro, Araçatiba, Mumbuca e parte de Itapeba que será lançado no mar na altura da praia da Barra de Maricá, depois de passar por uma suposta estação de tratamento.

De acordo com o projeto inicial, estão previstos 13 km de rede de saneamento e a construção de um emissário terrestre nos quais serão investidos R$ 60 milhões, custeados pelo Governo do Estado e pela Petrobrás.

Com uma rede de saneamento básico muito precária, o município de Maricá recebeu uma proposta que, teoricamente, beneficiaria e muito a sua população. No entanto, a realidade parece ser outra. A falta de clareza nas informações em uma outra audiência pública realizada no mesmo local, em agosto do ano passado, intitulada "Pacto de Saneamento" deixou a sociedade civil bastante confusa sobre as obras que, supostamente, já haviam começado no município. De acordo com Flávia Lanari, na ocasião coordenadora geral do Subcomitê do complexo lagunar Maricá-Guarapina, faltou transparência e debate popular sobre as decisões tomadas pelo poder público em parceria com a Petrobras.

- Tudo está muito nebuloso, porque ninguém sabe ao certo para que são essas obras. E faltam explicações de todos os lados. Através do Comitê da Baía de Guanabara, fizemos algumas recomendações sobre esses projetos e enviamos para o governo. Uma sabemos que foi seguida, mas, no que diz respeito a todas as outras, nunca recebemos nenhum tipo de resposta, declarou.

Os investimentos de fato são difíceis de decifrar. O projeto será custeado pela Petrobras, já que faz parte da contrapartida por conta da instalação do emissário do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que está sendo construído em Itaboraí e passará por Maricá, cujos efluentes químicos serão despejados no mar de Itaipuaçu. No entanto, também foram anunciados mais R$33 milhões para o saneamento, dessa vez com recursos do governo federal, liberados através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). O objetivo seria construir uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no bairro Parque Eldorado e redes de coleta em bairros como Ubatiba, Retiro e Jacaroá.

Sem saber ao certo se as melhorias virão, Maricá continua sofrendo com uma rede de saneamento básico extremamente precária. Os números oficiais apontam que menos de 10% das residências do centro de Maricá possuem tratamento de esgoto adequado. Segundo dados, antes do Centro ultrapassar os 100 mil habitantes, o esgoto tratado não passava de 5% do total. O número de habitantes cresceu muito, mas o serviço não mudou, tornando a situação ainda pior.

A audiência pública desta quarta-feira (2), no Paladon, começa às 19h.

Confira também: Pacto de saneamento foi uma farsa. Cabral e Quaquá nem compareceram





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