sábado, 18 de outubro de 2014

QUEM TEM MEDO (ÓDIO) DA CLASSE MÉDIA? A dialética dos interesses

Maurício Pássaro - Abaixo, descobri um quadro sobre o que ocorre nas economias dos países – segundo a visão de um partido comunista uruguaio, o Frente Amplio. Muito curioso. Ele sintetiza, quanto às migrações de votos, o pensamento do movimento chamado bolivarianismo. A Venezuela, em crise social geral, com inflação-dragão e escassez de produtos, é o centro bolivariano das Américas.

Conforme o quadro, tudo começa quando a “direita”, o bandido, destrói a classe média que, empobrecida, ressentida, elege um governo popular. Então, os programas de governo fazem a classe média aumentar de número, que fica de repente besta e se bandeia para o lado dos ricos, rendendo ao fim votos para a direita. Aí, a direita papa novamente o dinheiro da classe média, que volta para o governo de esquerda, assim por diante. Curiosamente, o quadro tem a pretensão de expor uma fórmula internacional, universalista.

O resumo do desenho é este: a direita encarna naturalmente o mal, a classe média tem duas caras, e o governo popular e as camadas pobres são aureoladas com a santidade, vítimas do sistema.

Você sabia que a Secretaria para Assuntos Econômicos (SAE) instituiu novos parâmetros para o enquadramento das classes? Quem recebe de R$ 641 a R$ 1.019 consta na chamada “nova” classe média, sendo que quem está no teto é classificável de “alta” classe média. Acima de R$ 1.019, o sujeito já é classe “alta”. É isso mesmo? Confiram, corrijam se eu estiver enganado com os números. Talvez, alguns, aí, sejam ricos e não saibam.

Se for isso mesmo, então penso que esse novo padrão está servindo para se dizer que aumentou o número de classemedianos. Mas, se compararmos o poder aquisitivo de décadas atrás, observamos que, de fato, o que ocorreu pode ser interpretado de outro modo: grande parte da antiga classe média empobreceu, a “média” está sendo nivelada por baixo. Isso explica as dezenas de milhões que (supostamente) adentraram a classe média. Nivela-se por baixo. Em vez de se promover o crescimento da economia para que os pobres subam para o andar de cima, e a pobreza tenha realmente um fim, preferem empurrar parte da classe média para o andar de baixo. E os andares mais altos ficam intocados, ao contrário, são benvindos no financiamento das campanhas e, depois, participam dos projetos do governo.

Chega a ser risível o item desse quadro analítico onde se diz que a classe média enriquece e começa a querer viver como rico. Aqui está a ponta de uma pesquisa que inclui, entre tantos números, dados qualitativos. Ou seria o caso clássico de projeção, quando o observador enxerga, no objeto observado, o que ele próprio mais no fundo deseja? Até onde eu sei, a principal preocupação da classe é não descer ao degrau da pobreza, garantir um plano de saúde para escapar do SUS e poder pagar as contas ao fim do mês, vendo se sobra algum para um domingo de cinema, no shopping, com a família.

De onde saem tais informações? De estudos técnicos e imparciais? Ou de cartilhas ideológicas, doutrinárias?

Os investimentos – não os gastos – são o que fomentarão a criação de empregos. Os investimentos – não as ideologias – o que poderão fazer uma economia crescer realmente. Educação foi o investimento que a Coreia do Sul fez, antes de explodir como potência econômica. O bordão insistente da formação de um país de classe média, na verdade, é a propaganda subliminar em prol de um país de classe única, partido único, imprensa única, etc.

Mas, vejam a sapequice do marketing. Outro dia, no programa eleitoral, ouvi Dilma comentando o diálogo online que teve com uma mulher de classe média. A presidente perguntou se ela almoçava, jantava e tomava o café da manhã, e por aí vai. Com fechamento em chave-de-ouro: a internauta dizendo que, mesmo sendo classe média, votará nela.

Faz-se realmente o diabo nessa campanha 2014! Cruz credo.





1 comentários:

Anônimo disse...

Esclarecedor , porém gostaria de saber qual a opnião da direita.

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